Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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Quanto custa o trabalho dos servidores públicos? Estudo sobre trabalho e riscos de adoecimento numa universidade federal brasileira.
Giovana Rodrigues Dall Apria, Alessandro Vinicius de Paula, Edson Rodrigues De Aro

Última alteração: 27-09-19

Resumo


A presente pesquisa teve por objetivo investigar os custos do trabalho e os riscos de adoecimento por ele provocado - especialmente, em termos de representações relativas ao Custo Físico, Cognitivo e Afetivo no trabalho, bem como as consequências em termos de Danos Físicos, Psicológicos e Sociais presentes no cotidiano laboral de servidores públicos integrantes da carreira dos Técnicos-Administrativos em Educação (TAE), lotados e/ou em exercício na Coordenação de Administração de Pessoal (CAP) de uma Universidade Federal do Centro-Oeste do Brasil. Empregou-se como ferramenta de coleta de dados a Escala de Custo Humano no Trabalho (ECHT) e a Escala de Avaliação dos Danos Relacionados ao Trabalho (EADRT) que fazem parte do Inventário sobre Trabalho e Riscos Adoecimento (ITRA). Como objetivos específicos, intencionou-se: a) traçar um perfil dos fatores que podem interferir no processo de adoecimento desses profissionais; b) fornecer informações relativas à saúde do servidor para a Universidade, visando subsidiar políticas de gestão de pessoas mais assertivas. Após autorização da pesquisa pela Secretaria de Gestão de Pessoas da entidade, as duas escalas (ECHT & EADRT) foram organizadas eletronicamente no serviço de disco virtual Google Drive®️ e disponibilizadas aos respondentes, via e-mail, pelo período de quinze dias, compreendidos entre 16 e 30 abril de 2019. Participaram do estudo 24 servidores (o que corresponde a 75% do universo pesquisado, de um total de 32 servidores). Referente ao perfil sociodemográfico das pessoas que participaram do estudo, 54,2% se declarou como sendo mulher (n = 13) e 45,85% (n = 11) como homem, com idade média de 41 anos. Com relação ao estado civil, a maioria (62,5%, n=15) é casada(o) e possui curso de pós-graduação lato sensu completo (79,2%, n = 19). A média de tempo de serviço na Universidade foi de 11,8 anos (DP = 11, 82) e no cargo a 11,9 anos (DP = 11,97). Dos respondentes, 66,7% (n = 11) informaram não ter se afastado do trabalho por motivo de saúde no último ano, ao passo que 25% (n = 6) indicaram ter se afastado entre uma e três vezes no mesmo período. Os dados foram processados com o Microsoft Office Excel®️ 2007. A interpretação, descrição dos fatores e o modo de aplicação/correção das escalas foram realizados de acordo com proposta de Ana Magnólia Mendes (2007). A referida autora indica que a análise das escalas devem ser feitas considerando as médias gerais dos fatores e percentual de respondentes nos intervalos das médias, bem como considerando cada fator e, em seguida, o conjunto, que são interpretados de acordo com os níveis de avaliação que predominaram, sendo eles: satisfatórios (que significa um resultado positivo e produtor de prazer no trabalho; aspecto a ser mantido e consolidado no ambiente organizacional); críticos (um resultado mediano que indica uma “situação-limite”, potencializadora do custo negativo e sofrimento no trabalho; sinalizando, portanto, um estado de alerta que requer providências de curto e médio prazo) ou graves (um resultado negativo produtor de custo humano e sofrimento no trabalho; indicativo de forte risco de adoecimento e que requer providências imediatas nas causas, visando sua eliminação e/ou atenuação). A análise dos resultados apontou que os fatores Custo Cognitivo e Custo Afetivo foram os que aferiram as médias gerais mais altas no período pesquisado, representando os eixos que mais podem influenciar no processo de adoecimento dos servidores TAE da CAP. Os itens mais graves foram “ter que resolver problemas” para Custo Cognitivo e “ter que lidar com as emoções” para Custo Afetivo, o primeiro localizado na faixa de avaliação mais negativa/produtora de custo humano e sofrimento no trabalho, e o segundo interpretado como resultado mediano que indica uma “situação-limite”, potencializadora do custo negativo. Para a Escala de Avaliação dos Danos Relacionados ao Trabalho todos os fatores receberam avaliação positiva, indicando que os itens componentes a que estiveram sujeitos os servidores foram considerados suportáveis. Ao passo em que o fator Danos Psicológicos apresentou a menor média geral de todos os seis fatores analisados, significando característica a ser mantida pela organização, os fatores Custo Cognitivo e Afetivo indicaram a maior necessidade de atenção por parte da administração da Universidade, uma vez que suas médias gerais se localizaram na faixa crítica de avaliação grave e crítica, respectivamente.

Palavras-chave: Saúde dos servidores públicos, Inventário sobre Trabalho e Riscos Adoecimento (ITRA), Gestão de Pessoas, Psicologia Organizacional e do Trabalho.

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