Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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PSICOONCOLOGIA: DEFINIÇÃO E POSSIBILIDADES DE ATUAÇÃO
Alison Willian da Costa Souza, Arianne Arruda e Sá Paes Barreto, Juliana Ferreira Lemos

Última alteração: 05-07-19

Resumo


O psicólogo no hospital deve trabalhar preferencialmente numa abordagem interdisciplinar, de modo a promover o apoio e segurança ao paciente e familiares, aportando informações pertinentes à sua área de atuação. Nessa proposta, a psicooncologia surge como um campo interdisciplinar da saúde que investiga a influência de fatores psicológicos sobre o desenvolvimento, tratamento e reabilitação de pacientes diagnosticados com câncer. Dentre as possíveis atuações do psicólogo no hospital estão o acompanhamento de visitas médicas na equipe multiprofissional e trabalho junto aos familiares do paciente. Portanto, o objetivo deste trabalho bibliográfico é introduzir, desenvolver e analisar a atuação do psicólogo que atua nesta modalidade de atendimento. Costa Júnior (2001) define a psicooncologia como um campo interdisciplinar da saúde que investiga a influência de fatores psicológicos sobre o desenvolvimento, tratamento e reabilitação de pacientes diagnosticados com câncer. De acordo com o autor, os principais objetivos dessa área é a identificação de variáveis psicossociais e ambientais em que a intervenção do psicólogo possa auxiliar no processo de enfrentamento da doença, incluindo quaisquer situações decorrentes do processo de hospitalização que possam ser estressantes para o paciente e a sua família. A psico-oncologia é a área de interface entre a Psicologia e a Oncologia, que surgiu a partir da necessidade do acompanhamento psicológico ao paciente com câncer, sua família e a equipe que o acompanha. É possível observar que essa área de atuação vem se constituindo como uma ferramenta indispensável para promover as condições de qualidade de vida do paciente com câncer, facilitando o processo de enfrentamento de eventos estressantes relacionados ao processo de tratamento da doença, como exemplo os períodos prolongados de tratamento e internação, o tratamento farmacológico considerado extremamente agressivo, a submissão a procedimentos clínicos invasivos e dolorosos e as alterações de comportamento do paciente (COSTA JÚNIOR, 2001). Ao abordar sobre o atendimento nos moldes da psicooncologia, Costa Júnior (2001) defende que o atendimento deve ultrapassar os limites da prática psicoterápica, considerada inadequada e insuficiente de acordo com os objetivos propostos para a psico-oncologia. Deve priorizar um tratamento com o paciente em qualquer contexto do hospital em que ele se encontrará e é imprescindível a participação da equipe interdisciplinar. O autor ainda explica que as intervenções são baseadas em modelos educacionais e não em modelos médicos focados em classificações patológicas e tratamentos individuais. Conclui-se que a Psicooncologia surge como uma ferramenta que visa promover a qualidade de vida do paciente com câncer, auxiliando no processo de enfrentamento durante o tratamento da doença. Para que isso ocorra, o psicólogo deve dialogar com os outros profissionais responsáveis pelo paciente, possibilitando uma atuação interdisciplinar. Além disso, o psicólogo deve  entender que o contexto hospitalar é um ambiente diferente da clínica, ou seja, o profissional de psicologia deve aprender a atender neste tipo de situação, que  necessita criar condições básicas para atendimento em meio à rotina e adversidades presentes no hospital. Juntamente com a promoção da qualidade de vida do paciente, a Psicooncologia também apresenta um cuidado especial às famílias dos usuários, adaptando as estratégias de enfrentamento e comunicação de diagnóstico às diversas situações que acompanham a doença. Assim, é de suma importância que o psicólogo presente nesse contexto, tenha uma formação competente para lidar com acontecimentos adversos referentes a equipe multidisciplinar, a família e, principalmente, ao paciente. Portanto, é de extrema importância que durante todo o processo do paciente no hospital o psicólogo se atente aos abalos emocionais causados pela doença e pelo tratamento, de forma a ajudar o paciente a procurar estratégias de enfrentamento e adaptação às mudanças acompanhadas pelo processo da doença. Vale ressaltar também a implementação de um atendimento com caráter humanizador dessas pessoas, ou seja, é preciso ter o cuidado de não reduzir o paciente à sua doença e ajudá-lo na ressignificação da mesma. Assim, deve-se considerar todos os aspectos subjetivos da vida do paciente, e não estigmatizá-lo por sua doença.

 

Palavras-chave: Psicooncologia, Hospitalar, Equipe Multidisciplinar.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COSTA JUNIOR, Áderson L. O desenvolvimento da psico-oncologia: implicações para a pesquisa e intervenção profissional em saúde. Psicologia: ciência e profissão, v. 21, n. 2, p. 36-43, 2001.