Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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XADREZ COMO PROPOSTO PARA O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO NO CONTEXTO ESCOLAR
Ana Julia Candida Ferreira, Cleiton Marino Santana

Última alteração: 27-06-19

Resumo


As habilidades cognitivas são definidas como capacidades que fazem um indivíduo competente em alguma área, sendo que essas podem permitir que uma pessoa seja capaz de discriminar objetos, fatos, estímulos e conceitos; analisar;  levantar e resolver situações, tal qual aplicar regras para a resolução de um problema (GATTI, 1997). O xadrez é um esporte cognitivo e se apresenta como um instrumento de habilidade cognitiva. O jogo é representado por 32 peças, sendo 16 brancas e 16 pretas. Dentre as 32 peças no jogo, 06 peças se movimentam de forma distinta uma das outras dentre um tabuleiro de 64 casas, onde acontecem inúmeras possibilidades lógicas e matemáticas (ALMEIDA, 2010). Segundo Almeida (2010), o xadrez pode ser definido como um jogo que possibilita ao jogador o desenvolvimento das habilidades de planejamento e estratégia, sendo que sua ação direta se descreve por suas jogadas e pela análise do jogo do adversário, uma vez que o jogo se intercala entre o movimento do jogador e do adversário. Sabe-se que o ensino do xadrez está amplamente relacionado à melhora do desempenho acadêmico de estudantes (ALMEIDA, 2010; BART, 2014), fato este que estimulou projetos de pesquisa em vários países ao longo das duas últimas décadas (SALA; FOLEY; GOBET, 2017). Nessa perspectiva, o objetivo desse trabalho é verificar as contribuições do xadrez para o desenvolvimento cognitivo no contexto escolar, sendo este um estudo bibliográfico que visa identificar, na literatura, os fundamentos para o desenvolvimento cognitivo do xadrez. Através da análise bibliográfica, por mais que seja encontrada uma relação positiva, correlacionar o desenvolvimento do desempenho acadêmico e a influência do xadrez ainda é um desafio. De Groot (1977) descreve que a prática do xadrez pode fornecer melhorias sutis em: concentração e aprender a lidar com derrotas; e ganhos de alto nível como: aumento da inteligência, criatividade e desempenho escolar. Em estudos, Binet e Simon (1904), criadores dos testes de quociente da inteligência, descobriram que o xadrez contribui para desenvolvimento da memória, imaginação, autocontrole, paciência e da concentração (GARNER, 2012). Em outros estudos, o ensino de xadrez, música e treinamento de memória de trabalho foram reivindicados como sendo capazes de treinarem habilidades de domínio geral, como raciocínio/inteligência, que, por sua vez, generalizam para outros aspectos cognitivos; e habilidades acadêmicas, como a matemática (SALA; GOBET, 2017). Demais autores destacam que essas habilidades podem ser utilizadas para o desenvolvimento acadêmico, descrevendo como o xadrez melhora o desempenho acadêmico de crianças (GOBET; CAMPITELLI, 2006), e Garner (2012) que aponta o ensino de xadrez como fator que contribui para o aumento da inteligência. Ademais, Costa e Kallick (2009) destacam que o xadrez é considerado uma ferramenta educacional eficaz capaz de melhorar não apenas as habilidades matemáticas, como também as demais habilidades acadêmicas, como a leitura, e habilidades cognitivas gerais, como concentração e inteligência. Bart (2014) descreve que jogar xadrez fortalece as habilidades cognitivas sendo benéfico para o desempenho escolar das crianças. Destarte, o estudo bibliográfico permitiu verificar que pesquisas sobre o ensino de xadrez são passíveis de correlação positiva com pesquisas junto às áreas que estudam a cognição humana e seus desdobramentos, sendo que os estudos que explorem tais correlações podem ajudar no descobrimento de caminhos para desenvolver as habilidades dos indivíduos no meio escolar de uma forma lúdica. Essas pesquisas têm potencial de auxiliar poderosamente na formação cognitiva da criança no contexto escolar, uma vez que, como visto, o xadrez pode ser considerado como uma grande ferramenta no processo de ensino aprendizagem. Diante dessa análise aparente, podemos verificar que há indícios que a prática do xadrez pode contribuir de forma efetiva para o desenvolvimento cognitivo da criança, de modo a colaborar para o ganho educacional.

Palavras-chaves: Xadrez, Cognição, Escolar, Crianças.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, J. W. Q. O jogo Xadrez e a Educação Matemática: como e onde no ambiente escolar. 2010.

BART, W. M. On the effect of chess training on scholastic achievement. Frontiers in psychology, v. 5, p. 762, 2014.

BINET, A; SIMON, T. Méthodes nouvelles pour le diagnostic du niveau intellectuel des anormaux. L'année Psychologique, v. 11, n. 1, p. 191-244, 1904.

 

COSTA, A. L.; KALLICK, B. (Ed.). Learning and leading with habits of mind: 16 essential characteristics for success. ASCD, 2009.

DE GROOT, A. D. Memorandum: Chess instruction in the school? A few arguments and counterarguments. Chess in the Classroom. An answer to NIE, p. 1-10, 1977.

GARNER, R. Chess makes a dramatic comeback in primary schools. The Independent, 2012.

GATTI, B. A. Habilidades cognitivas e competências sociais. Laboratorio Latinoamericano de Evaluación de la calidad de la educación. Santiago: LLECE, OREALC. 1997.

GOBET, F.; CAMPITELLI, G. Educational benefits of chess instruction: A critical review. In: Chess and education: Selected essays from the Koltanowski conference. Chess Program at the University of Texas at Dallas Dallas, TX, 2006. p. 124-143.

SALA, G.; FOLEY, J. P.; GOBET, F. The effects of chess instruction on pupils' cognitive and academic skills: state of the art and theoretical challenges. Frontiers in psychology, v. 8, p. 238, 2017.

SALA, G.; GOBET, F. Far Transfer: Does it Exist?. Cognitive Psychology, v. 31, p. 1-40, 2017.