Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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EFEITOS DO ÓLEO DE BARU SOBRE COMPORTAMENTOS DO TIPO ANSIEDADE, MEDO E PÂNICO
Daniele Cristina Soares de Lima, Thiago Marques de Brito

Última alteração: 26-06-19

Resumo


De acordo com Brandão (2004) a ansiedade é conceituada como um estado subjetivo de apreensão ou tensão, difuso e vago, acompanhado por uma ou mais sensações físicas como: aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca, da respiração entre outras. O medo e a ansiedade são componentes adaptativos fundamentais da resposta comportamental e autonômica a situações de perigo. Segundo Garcia –Leal (2008) medo é uma resposta a um perigo atual, iminente ou de ocorrência próxima. A diferenciação entre medo e ansiedade também pode ser feita em relação à direção da defesa, o medo está relacionado ao comportamento de afastamento de um perigo, enquanto a ansiedade à aproximação. Em uma medida adequada, a ansiedade pode ser considerada normal, sendo necessária para o desempenho de tarefas cognitivas, entretanto, quando mecanismos de controle  da ansiedade e resposta ao estresse não respondem funcionalmente, devido a fatores genéticos, ambientais e de desenvolvimento, podem gerar uma disfuncionalidade e potencializar quadros patológicos, surgindo os transtornos relacionados a ansiedade (MILLAN, 2003). No século XVII, Burton apresenta uma descrição clínica de uma crise aguda de ansiedade semelhante ao que hoje chamamos de ataque de pânico. Segundo Dalgalarrondo (2008) um quadro com sintomatologias relacionadas a transtorno de pânico, seriam crises recorrentes de ansiedade com sintomas físicos e emocionais, com preocupações sobre possíveis repetições da crise, desenvolvendo um comportamento de evitação ou fuga de eventos ou situações em que aconteceram os ataques de pânico. Salgado e Morzelle (2017) citam que diante de altos índices de adoecimento na população relacionados a transtornos de humor, vem crescendo o interesse por estudos com alimentos funcionais, principalmente os de origem vegetal como a amêndoa de Baru, um fruto da região do cerrado. Tendo este em sua composição ácidos graxos com propriedades de ômega 3, podendo ser um possível regulador na alteração de humor. Nessa composição está presente principalmente ácidos graxos oleicos e linoleicos, sendo mono e poliinsaturados, contribuindo para redução de Lipoproteinas de baixa densidade (LDL) e de Muito Baixa Densidade (VLDL) responsável pelo aumento do colesterol sérico. Esses alimentos possuem efeitos positivos no valor nutritivo, aumentando bem-estar a saúde, reduzindo o risco de ocorrências de doenças, promovendo melhor desempenho físico, psicológico e comportamental. Dessa maneira, os ácidos graxos são substâncias indispensáveis para o funcionamento do organismo, com as funções de formação de alguns hormônios e transporte de vitaminas lipossolúveis no organismo. Salgado e Morzelle (2017)  apontam que o ômega 3 pode ser utilizado para controlar humor, pois, DHA (ácido decosaexaenoico) é o principal componente estrutural do tecido neural para a regulação da neurotransmissão e humor.  Considerando que a literatura (SALGADO; MORZELLE, 2017; VAZ, 2014) apresenta poucas evidências acerca da ansiedade, o trabalho proposto tem por  objetivo investigar os efeitos ansiolíticos e neuroprotetores do óleo do Baru sobre comportamentos do tipo ansiedade, medo e pânico no Zebrafish. A literatura aponta que o Zebrafish é um dos vertebrados mais importantes para utilização em pesquisas em genética, neurofisiologia e biomedicina através dos anos, se trata de um peixe tropical de água doce pequeno e robusto medindo cerca de 3 a 4 cm sendo um teleósteo da espécie Danio rerio (SPENCE; MAGURRAN; SMITH et al. 2011; SILVEIRA; SHNEIDER; HAMMES, 2012). Possuem características neuroendócrinas que estabelecem correlação com os parâmetros comportamentais podendo ser utilizados como espécie modelo em estudos de stress e ansiedade, apresentando ainda uma variabilidade em níveis de ansiedade que possibilitam seu uso para o estudo de ansiedade crônica ou aguda (CACHAT et al., 2010).  Em nosso método serão separados  3 grupos de 30 peixes: Grupo 1 - dieta  suplementada com lipídios vegetais de Baru; Grupo 2 – dieta suplementada com azeite de oliva; e Grupo 3 – dieta com óleo de soja. Todos os animais serão expostos aos modelos caixa claro/escuro, tanque novo, substância de alarme e labirinto em rampa, cujos comportamentos do tipo ansiedade, medo e pânico serão registrados. Espera-se que as propriedades de ômega 3  do óleo de Baru contribuam para a redução dos comportamentos ansiogênicos, fóbicos e panicolíticos, visto que, resultados semelhantes foram descritos pela literatura (SALGADO; MORZELLE, 2017).

Palavras-chave: Ansiedade, Ácidos Graxos, Zebrafish, Óleo de Baru.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRANDÃO, M, L. As bases biológicas do comportamento: introdução à Neurociência. 4ª ed. EPU, Brasil, 2004.


CACHAT, J. M. et al. (2010). Modeling Stress and Anxiety in Zebrafish. Department of Pharmacology of Tulane University Medical School. New Orleans, p. 1-24, out. 2010.


DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais [recurso eletrônico] / Paulo Dalgalarrondo. – 2. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Artmed, 2008.


GARCIA LEAL, C. Efeito do escitalopram no teste da simulação de falar em público. Ribeirão Preto, 2008. 108 p. Tese de Doutorado, apresentada à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP. Área de concentração: Saúde Mental. Orientador: Francisco Silveira Guimarães.


MCNAUGHTON, N.; CORR, P. J. A two-dimensional neuropsychology of defense: fear/anxiety and defensive distance. Neurosci. Biobehav. Rev., Fayetteville, v. 28, n. 3, p. 285-305, 2004.


SPENCE, R.; MAGURRAN, A.; SMITH, C. Spatial cognition in zebrafish: The role of strain and rearing environment. Animal cognition, v. 14, p. 607-612, mar. 2011.


SILVEIRA, T. R.; SCHNEIDER, A. C.; HAMMES, T. O. Zebrafish: modelo consagrado para estudos de doenças humanas. Cienc. Cult., São Paulo, v. 64, n. 2, p. 4-5, jun. 2012.


VAZ, D. S. S, GUERRA, F. M. R. M, GOMES, C. F, SIMÃO, A. N. C, MARTINS JUNIOR, J. A importância do ômega 3 para a saúde humana: um estudo de revisão. Uningá Review. V.20,n.2,pp.48-54 (Out - Dez 2014).