Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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Terapias comportamentais de terceira geração: vivenciando a FAP e ACT
Felipe Rosa Epaminondas, Taysa Garcia Castrillon

Última alteração: 28-06-19

Resumo


O termo “Terapia Comportamental” é empregado de forma genérica para se referir a uma ampla variedade de intervenções , baseadas na ciência da Análise do Comportamento e na filosofia do Behaviorismo Radical que podem ser utilizadas na prática psicoterápica para tratar de problemas psicológicos. Nos anos 90 observou-se o surgimento de um conjunto de psicoterapias denominadas de “terceira onda” ou “comportamentais contextuais”. Esta denominação foi feita por Steven Hayes para diferenciá-las das terapias cognitiva e cognitivo-comportamental, também chamadas de segunda onda, e para destacar a influência da corrente filosófica contextualismo funcional. Parte dos objetivos destas terapias era  investigar e operacionalizar variáveis que alteram e produzem modificações nos repertórios comportamentais dos clientes. Outra característica marcantes destas terapias é o fato de desenvolverem a aplicação juntamente às pesquisas dos processos básicos que as embasam (enquanto na história da Análise do Comportamento, sempre se priorizou primeiro a descrição dos processos básicos para depois experimentarem suas aplicações). Dentre estas terapias, as primeiras que tiveram um nome específico foram a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), desenvolvida por Steven Hayes, e a Psicoterapia Analítico-Funcional (FAP), de Robert Kohlenberg e Mavis Tsai. Atualmente, terapeutas comportamentais experientes têm se utilizado da análise de contingências juntamente com conceitos e técnicas destas duas terapias de forma complementar. A FAP considera que as relações interpessoais são contingências que produzem ou aliviam o adoecimento, assim o psicoterapeuta deve usar a si como um instrumento que produz mudanças. Na psicoterapia o cliente aprenderá novas formas de se comportar para produzir relações de intimidade e isto se inicia na própria relação terapeuta-cliente. Para a ACT, a psicopatologia ou o sofrimento é a restrição do repertório do indivíduo (inflexibilidade psicológica), que o impede de viver uma vida significativa em direção a seus valores. Para reduzir o sofrimento, a ACT propõe atuação em seis pilares: aceitação, desfusão, viver o momento presente, self como contexto, valores e ações com compromisso. O objetivo deste minicurso é apresentar estes principais conceitos dos dois modelos de psicoterapia, utilizando-se de exposições orais, discussões com a audiência, questões para auto reflexão, exemplos de caso e vivências práticas. Para isso, o atual curso será dividido em 2 seções, uma para cada terapia. Em um primeiro momento, serão apresentados os princípios comportamentais que servem de base para a FAP, seguidos pelo seus conceitos básicos, como a importância da relação terapêutica, a identificação dos comportamentos clinicamente relevantes, as cinco regras do terapeuta FAP e o autoconhecimento do terapeuta FAP. Esta seção se encerrará com uma atividade prática a ser realizada que consistirá em uma vivência com a audiência em duplas para desenvolver habilidades através de role-playing.  A segunda metade do curso será dedicada à apresentação da ACT. Será introduzido o conceito de psicopatologia para a ACT e seus conceitos: fusão cognitiva, esquiva experiencial, avaliação e dar razão. Em seguida serão apresentados os seis pilares da intervenção em ACT citados anteriormente. Em cada pilar serão levantadas questões de auto-reflexão para o público. Ao final desta seção, será realizada uma vivência em que, em duplas, os participantes poderão escolher treinar as habilidades de cada pilar da ACT utilizando as reflexões realizadas a partir das questões trabalhadas durante o curso ou através do role-playing. Nas duas seções do curso os conceitos básicos serão apresentados juntamente com exemplos clínicos adaptados da literatura e adaptados da prática dos expositores (respeitando o sigilo de seus pacientes) e metáforas que exemplifiquem o processo discutido. Espera-se que ao final deste minicurso que o público seja capaz de distinguir a FAP e a ACT de outros modelos de psicoterapia, compreender o raciocínio que embasa as mesmas, identificar os repertórios comportamentais necessários para ambas e intercambiar as estratégias destas intervenções em sua prática clínica.

Palavras-chave: psicoterapia, análise do comportamento, FAP, ACT

Referências Bibliográficas

ABREU, P.; ABREU, J. A quarta geração de terapias comportamentais. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, v. 19, n. 3, p. 190-211, 16 dez. 2017.

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SABAN, M. Introdução à terapia de aceitação e compromisso. Belo Horizonte: Artesã, 2015.

TSAI, M.; KOHLENBERG, R.; KANTER, J.; KOHLENBERG, B.; FOLLETTE, W.; CALLAGHAM, G. Um Guia para a Psicoterapia Analítica Funcional: Consciência, Coragem, Amor e Behaviorismo. Santo André: Esetec, 2001.