Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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Estratégias de enfrentamento em crianças hospitalizadas: um estudo com instrumento informatizado
Alessandra Ribeiro de Moraes, Tatiane Lebre Dias

Última alteração: 01-07-19

Resumo


No percurso do desenvolvimento infantil situações adversas podem ocorrer, entre elas a hospitalização em decorrência de condição aguda ou crônica. Dados da pesquisa nacional de saúde realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2013 apontam que em Mato Grosso, 59% das crianças entre 0 a 17 anos foram ao médico nos últimos doze meses, enquanto no Brasil, a taxa foi de 68%. A hospitalização pode gerar uma série de consequências para a criança e a família, entre elas, depressão, ansiedade, estresse, entre outras. Os pais e/ou acompanhantes também sentem necessidade de serem acolhidos, compreendidos diante das expectativas de como será realizado o tratamento e tempo de internação. As investigações sugerem que propostas lúdicas podem ser uma variável que minimize os efeitos da hospitalização, podendo funcionar como uma estratégia de enfrentamento. Através da ludicidade a criança tem a oportunidade de expor seus sentimentos, compreender o processo de adoecimento e lidar com as formas de tratamento. Em estudo realizado por Elisa Moraes e Sonia Enumo em 2008, foi constatado que as estratégias de enfrentamento à hospitalização mais frequentes são: o controle do perigo, a busca por apoio, solução de problema e a distração. Em especial, a distração como estratégia pode relacionar-se com o brincar. Com o avanço tecnológico os brinquedos digitais passaram a ter importância também terapêutica proporcionando inclusão digital e diferentes formas da criança interagir com o processo de hospitalização, funcionando como mediadores. O uso de jogos eletrônicos tem aumentado no contexto da saúde em diferentes modalidades. A exemplo os jogos que auxiliam na reabilitação motora, neurológica ou psicológica de pacientes com limitações físicas, entre outros. A facilidade com que crianças e adolescentes interagem com os jogos digitais é uma variável importante na introdução desses jogos no contexto da saúde. Em 2007 Alessandra Motta investigou as estratégias de enfrentamento de crianças hospitalizadas com câncer a partir do Instrumento de Avaliação do Enfrentamento da Hospitalização (AEH) e verificou que o brincar faz parte das modalidades mais utilizadas no ambiente hospitalar, como meio mais adequado para a criança conseguir se adaptar ao processo de internação. Já em 2016 Daniele Garioli adaptou e validou o instrumento AEH para crianças com idade de 6 a 12 anos, passando a denominar Instrumento de Avaliação das Estratégias de Enfrentamento da Hospitalização (COPE-H). A partir dessas considerações este estudo pretende dar continuidade ao uso do instrumento COPE-H, porém, no formato informatizado, como estratégia a utilização do jogo digital. Desse o modo pretende-se investigar variáveis psicológicas no processo de hospitalização e as estratégias de enfrentamento a partir de um instrumento informatizado. Participarão do estudo 30 crianças hospitalizadas por condição aguda ou crônica, com idade entre 6 e 12 anos e seus pais. Para o desenvolvimento do estudo será utilizado o seguinte instrumental: I- respondido pelos pais/responsáveis: a) Roteiro de entrevista - que objetiva conhecer as condições da doença da criança; b) Lista de Verificação Comportamental para Crianças/adolescentes (CBCL- 6-18 anos) é uma escala de avaliação de problemas de comportamento em crianças e adolescentes, com idade entre 6 e 18 anos; c) Psychosocial Assessment Tool [PAT 2.0] - é um instrumento de rastreio para capturar as características e padrões de funcionamento familiar que os colocam sob risco psicossocial, frente a uma situação de stress. O PAT é composto de sete subescalas: (a) Estrutura familiar e fontes, (b) Suporte social, (c) Problemas familiares, (d) Reações ao stress, (e) Crenças familiares, (f) Problemas com as crianças, e (g) Problemas com os irmãos; os quais se somam para gerar as classificações de risco psicossocial: Universal, Alvo ou Clínico. II- respondido pela criança: a) Instrumento Informatizado de Avaliação do Enfrentamento da Hospitalização [COPE-H] – a partir de cenas que retratam experiências no ambiente hospitalar a criança tem a oportunidade de responder sobre essa vivência, a partir de um jogo digital; b) Respostas de criança/adolescente ao estresse de hospitalização (CARS-HO) – O RSQ mede respostas de estresse e coping e involuntário. Espera-se que os resultados da pesquisa possam indicar as variáveis que afetam o contexto da hospitalização infantil, possibilitar a identificação das estratégias de enfrentamento mais usadas pelas crianças com o instrumento informatizado e permitir a comparação entre o instrumento manual e o informatizado.

Palavras-chave: Jogo digital, Coping, Hospitalização infantil

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