Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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(RE)LEMBRANDO A TRAJETÓRIA DA EDUCAÇÃO DO SUJEITO SURDO: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Ana Cláudia Borck, Tatiane Lebre Dias

Última alteração: 17-06-19

Resumo


No Brasil a LIBRAS, (Língua Brasileira de Sinais) foi oficializada através da Lei N.º 4.857/2002, como a língua dos surdos, reconhecida e aceita pelo MEC. O último decreto governamental N. 5.626 de 22 de dezembro de 2005, que determina que o sistema educacional Federal, Estadual e Municipal incluam o ensino da Libras como parte dos parâmetros curriculares nacionais nos cursos de formação de educação especial, fonoaudiologia e magistério nos níveis médio e superior, trouxe importantes inovações para a fundamentação da educação de surdos. Diante desse panorama observa-se a necessidade de compreender como o sujeito surdo está lidando com o Curso de Letras Libras, e como está enfrentando as dificuldades e barreiras que o cercam cotidianamente na Universidade. Dados do Censo demográfico de 2010 indicam que 45,6 milhões de pessoas se declararam com alguma deficiência na faixa etária economicamente ativa da sociedade brasileira, compreendida por pessoas de 14 a 64 anos de idade, segmento populacional apto a ingressar no ensino superior. Das 29.034 matrículas efetivadas, 19.628 (67,6%) estavam presentes na rede privada, contrapondo-se às 9.406 (32,4%) das universidades públicas. A amostra constatada dos dados quantitativos revela que 3.943 eram cegos, 6.955 deficientes visuais, 1.488 surdos, 7.850 deficientes físicos, 7.037 deficientes auditivos, 151 surdocegos, 393 deficientes múltiplos, 566 deficientes intelectuais, 118 autistas, 57 com Síndrome de Asperger, 24 com Síndrome de Rett, 68 com Transtorno Desintegrativo da infância e 1.087 com Superdotação. Posto isso, é possível considerar que o aumento de matrícula do público mencionado nos cursos de graduação das instituições de ensino superior, seja atribuído ao desenvolvimento de políticas públicas inclusivas relacionadas especificamente ao ensino superior. Entre elas, o Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), projeto que subsidia a redução das taxas de evasão, aproveitamento de vagas ociosas, otimização da mobilidade estudantil, reorganização curricular, diversificação da oferta de cursos de graduação, ampliação de políticas de inclusão e assistência estudantil. O Programa Universidade para Todos (PROUNI), que facilita a ocupação de vagas a estudantes de baixa renda em instituições privada e orienta a institucionalização da Política de Acessibilidade nas instituições federais de educação superior (IFES). Nessa perspectiva de inclusão a educação bilíngue passa, então, a ser desejável como resultado das conquistas mais recentes da comunidade surda que valoriza a presença do profissional tradutor-intérprete de Libras/Português também neste nível de ensino. Segundo a Lei nº 10.436/02, em seu art. 24, devem ser garantidas aos surdos: a) Facilitação do aprendizado da língua de sinais e promoção da identidade linguística da comunidade surda; b) Garantia de que a educação de pessoas, inclusive pessoas cegas, surdocegas e surdas, seja ministrada nas línguas e nos modos e meios de comunicação mais adequados às pessoas e em ambientes que favoreçam ao máximo seu desenvolvimento acadêmico e social. Baseado nessas considerações o presente estudo buscou compreender a trajetória inicial de escolarização de sujeitos surdos que frequentaram o curso de Letras Libras, porém evadiram antes da conclusão. Participaram sujeitos surdos que frequentaram o curso de Graduação em Letras Libras da UFMT, entre os anos de 2014 e 2017, totalizando 12 alunos surdos que evadiram do curso nesse período, mas somente 5 participaram efetivamente da pesquisa. O primeiro contato com a Língua de Sinais com a idade entre 7 a 33 anos. Do total, 3 deles em Centros Especializados para surdos e 2 na família. Em relação à dificuldade no processo inicial de aprendizagem do sujeito surdo, percebeu-se que a maioria dos participantes tiveram muitos problemas de comunicação com seus professores das séries iniciais e educação infantil. Espera-se que esses resultados possam indicar caminhos a respeito do processo de evasão do sujeito surdo do ensino superior e a partir disso propor estratégias de permanência desses alunos.

 

Palavras-chave: Sujeito surdo; Universidade; Evasão.

 

BIBLIOGRAFIA

BRASIL. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras e, o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Disponível em: Acesso em: 28 de agosto 2018.

VYGOTSKY, L. S. A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo, 2001