Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, IX Mostra da Pós-Graduação

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PERFORMATIVIDADE DE GÊNERO: A EU LÍRICA NA POESIA ESCRITA POR MULHERES
Natália Salomé de Souza

Última alteração: 26-09-17

Resumo


No contexto da constante luta de ativistas de diversas correntes do feminismo em busca de visibilidade para a mulher e de equidade social, econômica e cultural, a presente pesquisa objetiva descortinar as ferramentas do patriarcado presentes no falogocentrismo que procedem ao apagamento da mulher dentro da literatura e da crítica literária. Ambas as esferas discursivas são dominadas pela lógica patriarcal, de modo que a universalização de um suposto neutro através do uso extensivo do masculino – o poeta e o eu lírico – exclui a possibilidade de as mulheres de fato participarem dos polos de produção, circulação e recepção de textos literários e críticos. Portanto, discuto aqui o uso em larga escala do masculino enquanto universal e os impactos dessa normatização para os estudos literários. A crítica literária feminista aponta para os modos como o discurso do masculino universal foi justificado como um suposto neutro através de manipulações das leis da língua portuguesa. A reflexão sobre essa manipulação pode demonstrar o quanto o feminino – estendido também para o gênero identitário – é considerado um subgrupo dentro daquele da humanidade, quando este é designado pelo substantivo homem. Dessa forma, a não submissão às regras da linguagem falogocêntrica se apresenta enquanto ruptura de um sistema fortemente marcado pelo patriarcado. Proponho, portanto, a fundamentação do termo eu lírica na teoria literária como procedimento de subversão da ordem falogocêntrica, bem como a sua aplicação na análise literária de obras líricas de diferentes escritoras. Vale ressaltar que a escolha das escritoras que compõem o corpus de meu estudo se dá pelo fato de serem mulheres que se afirmam enquanto mulheres e cujas identidades de gênero se encontram dentro do continuum lésbico (RICH, 2010), que leva em consideração todas as possíveis performances (BUTLER, 2016) dos femininos. A pesquisa, portanto, visa a uma virada não apenas no que concerne à crítica literária, mas também à compreensão do que é ser mulher no século XXI.

PALAVRAS-CHAVE: Eu lírica, Crítica Literária Feminista, performatividade de gênero