Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, IX Mostra da Pós-Graduação

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Avaliação dos efeitos do óleo de Caryocar brasiliense Cambess (pequi) sobre a viabilidade celular
Jader Büttner-Pires, Stela Regina Ferrarini, Aline Gomes Batista da Conceição, Cláudia Marlise Balbinotti Andrade

Última alteração: 29-09-17

Resumo


O óleo de pequi (Caryocar brasiliense Cambess) possui ampla utilização pela população residente no cerrado, com aplicações que vão desde a gastronomia até a indústria cosmética, além de diversos estudos demostrarem suas propriedades antioxidante, anti-inflamatória, cicatrizante, entre outras. Dados da análise fitoquímica do mesmo identificaram a presença de vitamina A e ácidos graxos, tais como ácido palmítico, oleico, mirístico, esteárico palmitoleico, linoleico e linolênico. Em função destas características o óleo de pequi parece ser um bom candidato para estudos envolvendo nanotecnologia. Podendo ser empregado tanto como constituinte estrutural de uma nanocápsula de núcleo lipídico, como também, um ativo associado a outros fármacos que tenham como efeito adverso, por exemplo, o aumento na produção de radicais livres, com o intuito de minimizar este efeito indesejado e ainda desenvolver sistemas de liberação controlada. Assim sendo, o objetivo inicial deste estudo é investigar o efeito do óleo extraído do pequi, livre e nanoencapsulado, sobre a viabilidade das células V79, uma linhagem amplamente empregada em estudos de citotoxicidade. Para isso o óleo de pequi foi extraído por ultrassom na presença de solvente orgânico e posterior eliminação do solvente por evaporação rotatória. As células da linhagem V79 foram cultivadas e tratadas com meio padrão acrescido de óleo nas concentrações de 10, 50, 100 e 200 ug.mL-1. A citotoxicidade foi avaliada pela determinação da viabilidade mitocondrial (MTT), a adesão e densidade celular por coloração com sulforrodamina e a proliferação celular por contagem em câmara de Neubauer utilizando azul de tripan. Os dados obtidos mostraram que o óleo não foi citotóxico em nenhuma das concentrações avaliadas. Após 30 minutos do plaqueamento houve adesão parcial das células, no entanto após 60 minutos todas as células parecem ter aderido independente da presença do óleo no meio de cultivo. Através da coloração com sulforrodamina B também avaliamos a densidade celular nos diferentes tempos e verificamos que a presença do óleo não influenciou a proliferação celular após 48 horas de cultivo. Após 72 horas não foi possível avaliar com precisão este parâmetro em função do número de células ultrapassar o limite de detecção superior do método. O tratamento das células com diferentes concentrações do óleo de pequi também não demonstrou alteração na proliferação celular em todas as concentrações avaliadas. Estes resultados demonstram que o óleo de pequi não altera a viabilidade celular e nos dão o respaldo para utilizá-lo na produção de nanocápulas de núcleo lipídico e dar sequencia às próximas etapas deste estudo que visa associar as propriedades do óleo de pequi à nanotecnologia.