Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, IX Mostra da Pós-Graduação

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Bactérias endofíticas como agentes de controle biológico da podridão branca em maçãs
Caroline Felfili-Fortes

Última alteração: 29-09-17

Resumo


A produção mundial de maçã (Malus domestica) é superior a 65 milhões de toneladas. As podridões causadas por fungos são os principais problemas da macieira, dentre elas a podridão branca, causada por Botryosphaeria dothidea. Endófitos são agentes de biocontrole eficientes contra fungos fitopatogênicos. A potencialidade antagonista de bactérias endofíticas de áreas úmidas são subestimadas. Selecionamos bactérias endofíticas antagonistas a B. dothidea, causador da podridão branca em maçãs, visando o desenvolvimento de processo biotecnológico de controle biológico. O patógeno foi isolado e identificado segundo técnicas padronizadas. Noventa e seis linhagens de bactérias endofíticas obtidas de Aschenomene fluminensies e Poligonum acuminatum, isoladas em estudo prévio no Pantanal, foram submetidas a teste de antagonismo através da técnica de cultura pareada. A taxa de inibição (TI = [C-T/C]*100) e teste de Kruskal-Wallis foram aplicados para selecionar as linhagens promissoras. Possíveis mecanismos de ação foram avaliados: produção de substâncias voláteis e produção lipopeptídeos - LP. Duas linhagens promissoras foram submetidas a avaliação da eficiência do controle in vivo. Quitosana de baixo peso molecular foi utilizada como solução veículo para aplicação dos tratamentos. As superfícies das maçãs foram desinfestadas e submetidas aos tratamentos: a) Controle positivo - CP (quitosana); b) controle de patogenicidade – CPT (água); controle químico - CQ (carbendazim 1% + quitosana); T1 (suspensão bacteriana 1 + quitosana); T2 (suspensão bacteriana 2 + quitosana) e posterior inoculação artificial do patógeno. Os frutos foram acondicionados em caixas plásticas e selada com filme PVC  e mantidas à umidade relativa de 90%, durante 12 dias. O patógeno identificado foi Botryosphaeria dothidea CFMAC3. Dentre as 96 bactérias endofíticas testadas, 13 (14%) apresentaram antagonismo contra B. dothidea. Teste estatístico indicou que houve diferença estatística entre o controle e os tratamentos (p<0,01), com 13 linhagens apresentando inibição superior a 50%. Os antagonistas mais eficientes, Burkholderia sp. BAP4C e B. methylotrophicus BPN4M, apresentaram taxa de inibição micelial média de 78,03 (±1,67) e 67,22 (±1,64) respectivamente e foram selecionadas para o teste in vivo. Os mecanismos de ação indicaram que ambas as linhagens produziram lipopeptídeo que inibiu 78% e 82% o crescimento de B. dothidea in vitro. Ao final do experimento in vivo, os diâmetros das lesões e índice de severidade da doença nos frutos que receberam o tratamento com Burkholderia sp. BAP4C apresentaram diminuição de 45% e 49% se comparados com o controle de patogenicidade. Não houve diferença estatística entre o tratamento com Burkholderia sp. BAP4C e o controle químico (fungicida). Tal fato demonstra que o uso de Burkholderia sp. BAP4C em conjunto com quitosana para controle da podridão branca é tão eficiente quanto o tratamento químico com fungicidas, entretanto sem seus impactos danosos ao ambiente e a saúde animal, apresentando-se como um promissor produto para controle biológico. Maiores estudos para prospecção do produto devem ser conduzidos. Adicionalmente também de demonstramos o potencial das áreas úmidas como fornecedor de pools diferenciado de linhagens bacterianas para prospecção biotecnológica de produtos para o biocontrole.