Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, IX Mostra da Pós-Graduação

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Análise da Evapotranspiração em ambientes de cerrado e sazonalmente alagados em Mato Grosso – MT.
Vagner Marques Pavão, Marcelo Sacardi Biudes

Última alteração: 29-09-17

Resumo


Devido as suas características físicas e ecológicas, bem como sua localização geográfica, o Pantanal é considerado o elo entre os ecossistemas, Floresta Amazônica e os Chacos Bolivianos e Paraguaio, tendo como característica principal o pulso de inundação. Outro bioma de grande importância na região é o Cerrado, considerado a maior região de savana nas Américas. Nessa região a vegetação é xeromorfa com estrado herbáceo intercalado por plantas lenhosas de pequeno porte. Estes dois biomas possuem características peculiares quanto a suas fitofisionomias e dinâmica climática local, que influenciam diretamente na troca de energia e massa entre superfície e atmosfera local. Uma das variáveis que melhor reflete esta dinâmica nestes ambientes é a Evapotranspiração (ET). Neste sentido o objetivo deste trabalho foi analisar a dinâmicas da ET em ambientes de cerrado e área sazonalmente alagadas com presença de espécie monodominante no pantanal mato-grossense. O estudo foi conduzido em duas áreas experimentais localizadas no estado de Mato Grosso. A primeira está localizada em uma área de vegetação monodominante de Cambará (Vochysia divergens), conhecido localmente como Cambarazal (CAM) na Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN SESC – Pantanal, município de Barão de Melgaço – MT. A segunda área de estudo encontra-se em uma pastagem com ocorrência de arbustos (conhecida localmente como campo sujo), localizada na Fazenda Miranda (FMI). A ET foi calculada a partir do balanço de energia obtido pelo método da razão de Bowen com dados de torres de fluxo instaladas em cada umas das áreas. A ET seguiu o padrão sazonal da precipitação nos dois sítios de estudo. O pico da ET ocorreu no mês de dezembro em CAM e fevereiro em FMI, com mínimos em junho e agosto em CAM e FMI, respectivamente. A ET foi em média 20% maior no período chuvoso em CAM e representou 55% da ET total anual, enquanto que em FMI a ET foi 60% maior no período chuvoso e representou aproximadamente 70% da ET total anual. No sítio FMI a ET total anual correspondeu em média a 54% da precipitação. Por outro lado, em CAM os totais anuais da ET foram aproximadamente 5% maiores que a precipitação total anual. Estes resultados indicam que no CAM, além da precipitação, existem outros mecanismos de entrada de água no sistema. De fato, isto pode ser explicado em função da ocorrência de inundação no CAM, ocasionada pelo transbordamento do rio Cuiabá durante o período chuvoso. Nesta região a contribuição da precipitação e da água subterrânea na inundação é mínima quando comparado com a quantidade de água fornecida por meio do Rio Cuiabá. Estudos anteriores realizados neste sítio, observaram maiores valores do saldo de radiação destinados ao fluxo de calor latente (evaporação e transpiração) quando comparado com ao fluxo de calor sensível. A umidade do solo durante o período seco em CAM é alta, proporcionando maiores valores de evaporação e transpiração neste período. Assim, verifica-se que a diferença de ET entre as duas regiões de estudo é fortemente influenciada pela fitofisionomia, tipo de solo e ocorrência do pulso de inundação.