Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, IX Mostra da Pós-Graduação

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Avaliação da Faixa de Conforto Térmico do Índice Climático Térmico Universal (UTCI) para o clima Tropical Continental
Vera Cristina de Area Leão Borges, Vera Cristina de Area Leão Borges, Ivan Julio Apolonio Callejas

Última alteração: 16-02-18

Resumo


Em atenção especial a regiões mais vulneráveis a riscos climáticos, o presente trabalho trata da percepção térmica em ambientes a céu aberto, investigando uma região de clima extremado ao calor. Considera que as relações de sensação e percepção térmicas de uma determinada população são resultado da interação particularizada das variáveis ambientais, conjuntamente com variáveis individuais, fisiológicas além das subjetivas como expectativas, costumes, aclimatação, e até as psicológicas pouco exploradas. Assim têm-se demonstrado que as faixas de estresse e de conforto térmico únicas e genéricas de índices térmicos, não podem ser adotadas sem uma validação regional, revelando a necessidade de calibração destes índices junto às diferentes regiões, climas e populações. Como exemplo pesquisas recentes  determinaram menor temperatura neutra de Índice Climático Térmico Universal (UTCI) para a China, se comparada à Europa ou ainda em relação à Taiwan, enquanto que outras revelaram a existência de diferente percepção e preferências térmicas entre usuários urbanos e usuários de praia, demostrando também a necessidade de se compreender como as emoções psicológicas se relacionam ao local de avaliação do conforto térmico em espaços abertos. Muitas outras influências têm sido ressaltadas na percepção térmica de uma determinada população desde expectativas sazonais, clima predominante do local de origem, frequência de uso de ar condicionado até a condição de obrigatoriedade ou não do usuário nesse espaço, se está transitando por obrigação ou por livre escolha. Outros trabalhos destacam a correlação de tendências históricas nas frequências integradas de vários climas extremos, especialmente para predição de riscos climáticos. Toda essa percepção individual assume papel coletivo quando se considera sua fixação numa região geográfica, por pertencerem a conjuntos espaciais heterogêneos, produzindo microclimas regionais individualizados, dificultando então aplicação de índices térmicos de maneira indiscriminada. Este trabalho busca no universo da percepção térmica humana, particularizá-la ao clima tropical continental (Aw- Köppen), definindo faixas de conforto e desconforto térmico para o Índice Térmico Climático Universal (UTCI), considerado estado da arte e adequado como modelo probalista para previsão de fenômenos climáticos. Um índice térmico climático calibrado torna-se um importante instrumento nas mãos do planejador urbano, mas muito além disso, um instrumento preciso para simulação em regiões vulneráveis a riscos climáticos, buscando a mitigação dos efeitos dessas catástrofes, cada vez mais frequentes nos dias atuais. Com pesquisa de campo junto aos pedestres concomitante aos levantamentos micrometeorológicos, foram colhidos 720 questionários objetivando definir faixas de conforto e desconforto térmico para o Índice Térmico Climático Universal (UTCI). Os resultados prévios mostraram como faixa de conforto da população cuiabana, as temperaturas UTCI entre 26oC e 29oC, indicando uma temperatura de desconforto por calor, mais alta em 8oC em relação à predita pelo referido índice que considera a faixa de conforto como sendo 18o C a 26o C, indicando portanto maior tolerância da população pesquisada em relação ao calor.