Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, IX Mostra da Pós-Graduação

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ENTRE LINHAS E NÓS: UM OLHAR AO CURRÍCULO, À EDUCAÇÃO AMBIENTAL E À CULTURA, NA COMUNIDADE QUILOMBOLA DE MATA CAVALO
AMANDA MARTÍNS DE ESPÍNDULA AREVAL, REGINA APARECIDA DA SILVA, DÉBORA ERILÉIA PEDROTTI MANSILA

Última alteração: 26-09-17

Resumo


O Brasil é um país de grandes contrastes sociais desigualdadesque traz em sua história a marca de extrema injustiça e violência praticadas contra o povo negro/africano (MUNANGA e GOMES,2016). A luta pela vida travada em busca de liberdade, por estes homens e mulheres escravizados, deu origem aos quilombos: um espaço coletivo de organização política e de resistência.Mesmo depois de libertos continuaram a lutar pelo direito da terra onde estes quilombos foram formados. Vemos que a luta das comunidades quilombolas vai além da questão fundiária, conforme Castilho (2008, p.89), essas lutas “recrudescem, assumindo uma conotação mais ampla, compreendendo aspectos étnicos, históricos, antropológicos e culturais”. Estadissertação foi tecida junto à Comunidade Quilombola de Mata Cavalo, localizada no município de Nossa Senhora do Livramento - Mato Grosso, quetambém  luta a mais de 100 anos pelo direito as terras que foram doadas aos escravos que nela viviam.A metodologia escolhida é a Sociopoética (GAUTHIER), que nos permitiu expor o posicionamento de grupo pesquisador ao escrever enas trocas de saberes e sentidos, tecendo CONCEITOS com AFETOS, os CONFETOS (SATO; SENRA, 2009, p.140).Neste contexto, esta pesquisa traz um olhar sobre aescola dentro do quilombo, com enfoque na educação ambiental, a cultura e ao currículo, uma vez que o objetivo é compreender os processos de construção coletiva de um currículo da vida, pensado com e pela comunidade Quilombola.E que, desejado e construído coletivamente, registre a cultura e os sonhos de um quilombo que resiste e luta para não desaparecer, diante da rápida ascensão capitalista que tem buscado invisibilizá-los. Um currículo como “território político” e tática educativa de resistência, que contemple, em sua construção, “quais os conhecimentos são considerados válidos” para a Comunidade Quilombola de Mata Cavalo.(SILVA, 2013, p.148). Foram também utilizados como instrumentos de pesquisa: entrevistas semiestruturadas e processos formativos sobre educação ambiental, cultura e currículo. Desta forma foi possível perceber durante a pesquisa que um currículo tradicional não contempla as multiplicidades existentesem uma comunidade quilombola. E, embora, o currículo tenha sido organizado historicamente para favorecer a parcela dominante da sociedade brasileira (SILVA, 2013), as diretrizes curriculares do Estado do Mato Grosso, já apresentam orientações que diferem as escolas quilombolas das demais escolas, o que também contribuiu durante o processo formativo para as reflexões a respeito do papel da escola para a história da comunidade e a importância de um currículo vivo que pudesse unir os saberes escolares formais, as práticas quilombolas e a cultura quilombola como tática educativa de poder e fortalecimento desta comunidade.