Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, IX Mostra da Pós-Graduação

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Cinema indígena: transbordamentos estéticos e políticos em uma perspectiva decolonial
Gilson Moraes da Costa

Última alteração: 26-09-17

Resumo


Deste o final da década de oitenta e início dos anos noventa, com o fim da ditadura militar e em um contexto de luta por direitos humanos e democratização dos meios de comunicação, diferentes povos indígenas brasileiros tiveram acesso à tecnologia audiovisual. A partir de então, as produções cinematográficas protagonizadas por realizadores indígenas passam a disputar espaço na ordem da representação imagética apresentando-se como uma ação descolonizadora mediante a ênfase nas experiências singulares.  A presente proposta de pesquisa traz como principal desafio investigar o papel político do cinema indígena no contexto das articulações do Movimento Indígena no Brasil, bem como suas especificidades estéticas, poéticas e constitutivas, mapeando as intermediações culturais envoltas na consolidação da mídia indígena (SHOHAT e STAM, 2016) enquanto instrumento de luta e de autoafirmação étnica. Para tanto, pretendo partir de três hipóteses iniciais: [a] a apropriação da tecnologia e da técnica do audiovisual pelos povos indígenas no Brasil ganha relevo em um contexto de organização e fortalecimento do movimento indígena; [b] a organização do movimento indígena, diferente do movimento operário “tradicional” cuja centralidade se configura a partir da relação entre Capital x Trabalho, se fundamenta com base em distintas experiências de opressão: o aniquilamento social e cultural vivenciado no processo histórico de constituição do Estado Nação [e mesmo após ele],  o desrespeito em relação aos direitos originários e a consequente luta por reafirmação étnica; [c]: a emergência do cinema indígena se dá em contexto de hibridismo tático e tem se configurado como um dispositivo relevante no fortalecimento da reafirmação étnica e na abertura de um diálogo com o discurso hegemônico sobre a representação depreciativa construída historicamente sobre os povos indígenas no Brasil. As hipóteses elencadas contribuem para apresentar a seguinte problemática: para fortalecer a luta por reconhecimento e respeito social, lideranças de diferentes etnias  agem, estrategicamente, no sentido de tornar o audiovisual um dispositivo central da afirmação cultural dos povos indígenas, propiciando a emergência de um cinema decolonial que apresenta suas singularidades no “campo”[domínio da imagem] e no “contra-campo” [domínio das estratégias de produção].  O corpus desta pesquisa será constituído, em parte, de um conjunto de produções audiovisuais realizadas por cineastas indígenas da etnia Xavante, mais especificamente das Terras indígenas São Marcos, Sangradouro e Pimentel Barbosa, todas inseridas no estado de Mato Grosso.


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