Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, IX Mostra da Pós-Graduação

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ESTRATÉGIAS COGNITIVAS COMO INSTRUMENTO PARA O ENSINO- APRENDIZAGEM DE CAPACIDADES DE LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTO A ALUNOS SURDOS DE ENSINO MÉDIO
Rodney Mendes de Arruda

Última alteração: 27-09-17

Resumo


Este trabalho apresenta proposta desenvolvida em nível de doutorado, inscrita no PPGEL/IL/UFMT e vinculada ao Grupo de Estudos Linguísticos e de Letramento (GELL/UFMT/CNPq). Trata, sobremaneira, do ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa (LP) escrita por sujeitos surdos. Apesar de ser um país oficialmente monolíngue, há variadas práticas de línguas em contato, além dos múltiplos letramentos, os quais demandam a proficiência dos usuários. Surdos são potencialmente bilíngues, por conviverem com a Língua de Sinais (LS) e Língua Portuguesa (LP) na modalidade escrita, que são de modalidades distintas. O ensino destas, no entanto, deve obedecer a parâmetros diferentes, principalmente pelo fato de a LP normalmente valer-se da oralidade para o ensino da escrita, o que exclui os surdos, geralmente considerados analfabetos funcionais. A metodologia desta pesquisa – que integra as áreas da Linguagem, Psicologia e Educação –, é de caráter qualitativo, de natureza crítico-dialógica e participativa. O corpus constitui-se de: notas de campos; gravações em áudio e vídeo, de observações de aulas de LP e atendimento na Sala de Recursos Multifuncional; oficina de LP modalidade escrita oferecida a alunos surdos de Ensino Médio; entrevistas com os profissionais diretamente relacionados a esses sujeitos. O locus é uma escola inclusiva localizada em Cuiabá-MT. A base teórica advém dos estudos de linguagem (Bakhtin e o Círculo, 1929;1952-53; 1970-1971/1979; 1974/1979); dos pressupostos acerca de ensino-aprendizagem, desenvolvimento e Defectologia (Vygotsky, 1930; 1934; 1983), do Letramento Crítico (Cassany, 1999; Freire, 1986;  Pereira, 2009; The New London Group, 1996); da relação entre capacidades de leitura e o Letramento Crítico (Paes de Barros, 2012; 2014); e autores dos Estudos Surdos (Góes, 2012; Goldfeld, 2002; Fernandes, 1998, 2003; Lodi, 1996, 2004; Santana, 2007). O trabalho de intervenção com alunos se configura como pesquisa-ação, partirá da LS como língua de instrução, terá ênfase em gêneros discursivos que mobilizam linguagem figurada e discussões pautadas nos pressupostos do Letramento Crítico.  Pragmaticamente, a partir da identificação de estratégias cognitivas mais requeridas pelos alunos surdos nas atividades com língua(gem), visamos elencar capacidades específicas de leitura e produção textual, caracterizando-as, para contribuir com as práticas de ensino, assim como a formulação de critérios justos de correção e avaliação, cujos procedimentos serão testados e, posteriormente, apresentados aos docentes como possibilidade de trabalho na disciplina. As reflexões parciais apontam para a necessidade de adaptação de materiais; formulação de estratégias didáticas para interagir com alunos surdos, favorecendo a relação docente/discente; oferta de formações pedagógicas específicas aos profissionais docentes, de forma a capacitar-lhes para demandas dessa natureza.

Palavras-chave: Surdo. Língua Portuguesa Escrita. Capacidades de leitura.