Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

Tamanho da fonte: 
PAPEL DA ENFERMAGEM FRENTE AO ABORTO EM REGIÕES DE GRANDE PRODUÇÃO AGRÍCOLA EM MATO GROSSO
Mariana Rosa Soares, Juliene Cristina Arruda, Lubia Maieles Gomes Machado, Wanderlei Antonio Pignati

Última alteração: 10-10-19

Resumo


Introdução: O aborto espontâneo pode ser causado por intercorrências na gestação, alterações genéticas, malformações no embrião, traumas físicos ou psíquicos, e/ou por exposições a produtos químicos, como agrotóxicos teratogênicos e mutagênicos. É considerado grande problema de saúde pública mundialmente devido à alta incidência de casos e consequências advindas, como mortalidade materna e estigma social. Em 2017, o Brasil apresentou 202.253 casos registrados de aborto espontâneo, além de estimativas de 12,5% de subnotificação, resultado da falta de vigilância do aborto no país. Mato Grosso (MT) teve 3.221 registros no período, distribuídos principalmente em áreas de grande produção agrícola e intenso uso de agrotóxicos. Estes agrotóxicos, principalmente os organoclorados, piretróides e derivados de glicina, têm demonstrado a capacidade de alterar o equilíbrio do sistema endócrino da gestante, evoluindo para toxicidade fetal e aumento da contratilidade uterina, gerando diversas complicações, entre elas o aborto. Objetivo: Realizar distribuição espacial da taxa de internação por aborto e do uso de agrotóxicos da população de mulheres em idade fértil residentes em MT. Metodologia: O estudo é ecológico do tipo observacional, no período de 2013 a 2017, com base nos registros das internações hospitalares por aborto (SIH); total de mulheres em idade fértil (IBGE); e do consumo de agrotóxicos/área plantada (IBGE/SIDRA). Foram calculadas a taxa média de internação por aborto/10.000 mulheres em idade fértil e o consumo de litros de agrotóxicos/área plantada, de acordo com metodologia utilizada por PIGNATI et al. (2017). A distribuição espacial dos indicadores  foi realizada no software ARCGIS 10.5 Resultados: Foram registradas 16.009 internações hospitalares por aborto em MT no período, com uma taxa média de 36,1 abortos/10.000 mulheres em idade fértil. A análise espacial identificou que a distribuição do aborto é maior em áreas das regiões Oeste, Médio-Norte e Nordeste do estado, caracterizadas pela alta produção agrícola e intenso consumo de agrotóxicos. Discussão: Há grande número de municípios silenciosos para registro de aborto, evidenciando deficiência de vigilância nessas regiões pela falta de registros, dificultando o conhecimento do número absoluto de casos. Além disso, os municípios de baixa produção agrícola são ambientes com presença de metais pesados no solo e áreas de destinadas a pecuária de corte, que também utilizam químicos para o preparo das pastagens, podendo se associar a ocorrência de malformações e abortos. Conclusões: É importante promover a integração entre os serviços de Assistência, Vigilância, Educação, Agricultura, Meio Ambiente e Sociedade Civil, com vistas à Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos (VSPEA), discutindo a vigilância do aborto e fortalecendo ações integradas de prevenção, proteção e promoção à saúde dessas populações. Novos estudos sobre o aborto e exposição aos agrotóxicos também são recomendados, bem como, o intuíto de contribuir para a mobilização e inserção do debate no âmbito da enfermagem. A assistência de enfermagem tem papel imprescindível em todas as etapas desde a exposição até a notificação de todos os casos, pois permite perceber o paciente como um todo, levando em consideração as diversas complicações biológicas, psicológicas e sociais que podem surgir.


Palavras-chave


Aborto. Agrotóxicos. Análise espacial