Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Racismo e agência na experiência de agentes políticos e pessoas com anemia falciforme em Mato Grosso
Késia Marisla Rodrigues da Paz, Reni Aparecida Barsaglini, Marta Gislene Pignatti

Última alteração: 10-10-19

Resumo


A anemia falciforme (AF) é uma doença crônica negligenciada no Brasil, tendo sido associada ao corpo negro desde a sua descoberta. A expressão da doença no contexto biológico, social e econômico das pessoas negras adoecidas reflete na experiência dessas pessoas e nas formas de agenciamento individual e coletivo, as quais envolvem a politização dos sujeitos. Trata-se de um estudo socioantropológico, sob a perspectiva das Novas Sociologias integrando conceitos das Ciências Sociais e humanas na interface com a saúde. O objetivo é analisar o Racismo e agência na experiência de agentes políticos e de pessoas com AF em Mato Grosso (MT). Para isso, buscou-se compreender como se configuram as ações e seus significados para as lideranças das organizações sócio-políticas comprometidas com os direitos da população negra em MT, com destaque à saúde e à atenção nos casos de AF; e entender os significados das organizações sócio-políticas e suas ações, expressos por adoecidos que convivem com a AF em MT. Esta pesquisa foi aprovada em 13/11/2018, pelo CEP da área da Saúde da UFMT, protocolo no 3.019.528 acatando aos preceitos éticos preconizados pela Resolução 466/2012 do CNS. Participaram da pesquisa militantes do Movimento Negro e da associações de adoecidos de Mato Grosso, e pessoas com AF que participam e que não participam dos movimentos/organizações sociais. A seleção foi intencional com o uso da técnica snow ball. A composição dos dados foi realizada através da entrevista compreensiva gravada em áudio, da observação, registros em diário de campo e uso de instrumentos norteadores contendo questões abertas e fechadas usadas como disparadoras. O corpus do estudo foi submetido à análise temática e organizados no formato de quatro artigos. Os resultados evidenciam a heterogeneidade em torno das organizações sociais atuantes em MT frente a Saúde da População Negra. A temática AF é trabalhada de maneira transversal, incluída dentro da pauta racismo. Quanto ao período de criação varia de dois anos a mais de quatro décadas. Elas têm se mantido com doações de fundos público e pessoal para a realização das atividades previstas e própria sobrevivência, com atuação no âmbito local, regional e nacional. No caso das pessoas adoecidas evidenciou-se a importância da biossociabilidade fomentada pelo adoecimento e estimulada de forma expressiva na participação ou contato com essas organizações, que ocorrem de maneira presencial e/ou com o uso de aplicativos de mensagens. Essa experiência intersubjetiva intensifica os agenciamentos e permite a construção de formas de agir mais organizadas na busca por melhorias no acesso a medicamentos, na efetivação de denúncias contra o racismo institucional, na busca aos tratamentos de saúde qualificados e mais amplos e mais qualidade de vida, fomentando o próprio agir político. É ainda necessária a criação de estratégias efetivas de identificar e combater o racismo institucional na área da saúde, bem como dar maior visibilidade às demandas em saúde da população negra e sua relação com os determinantes sociais. Estudos como esse, que dão vozes aos sujeitos que vivenciam essa realidade e criam formas organizadas efetivas de agir, são imprescindíveis para pensar essas estratégias.

Palavras-chave


Racismo; Agência, Anemia Falciforme