Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Depressão e ganho de peso em estudantes universitários: um estudo longitudinal
Lorena Barbosa Fonseca, Márcia Gonçalves Ferreira, Paulo Rogério Melo Rodrigues

Última alteração: 10-10-19

Resumo


É estabelecido o papel da obesidade como fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas, e dados epidemiológicos têm mostrado sua influência no desenvolvimento e no insucesso do tratamento para depressão. Estudantes universitários são vulneráveis à depressão devido às modificações no estilo de vida provocadas pelo ingresso na universidade, que também se associam ao ganho de peso.  Com o objetivo de verificar se existe diferença no índice de massa corporal (IMC) ao longo de três anos de vida universitária entre estudantes com e sem depressão no 1º ano da graduação, realizou-se estudo longitudinal de três anos de seguimento, com estudantes universitários de 16 a 25 anos, ingressantes em 21 cursos de período integral de uma universidade pública, nos anos de 2015 a 2017. Sintomas depressivos foram identificados no ingresso na universidade utilizando-se o Patient Health Questionaire-9 (PHQ-9), validado para a população brasileira. O PHQ-9 possui nove questões, com pontuação variando de 0 a 3. Pontuação ≥ 9 foi considerada para identificar a presença de depressão. O IMC foi calculado a partir dos valores de peso e estatura, aferidos anualmente nos três primeiros meses do ano letivo, e categorizado de acordo com o preconizado pela Organização Mundial de Saúde para cada faixa etária. Utilizou-se o teste Shapiro-Wilk para verificar a normalidade da distribuição. Para comparar os valores de IMC observados durante o seguimento, utilizou-se o teste de Wilcoxon-Mann-Whitney para duas amostras independentes. O teste qui-quadrado foi utilizado na comparação entre proporções e a razão de prevalência foi calculada para medir a força da associação entre as variáveis. O nível de significância estatística adotado foi de 5%. As análises estatísticas foram conduzidas no software STATA, versão 11.0. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Müller (parecer nº 1.006.048). Participaram do estudo 1.659 acadêmicos, sendo 51,24% do sexo masculino. A prevalência global de depressão no 1º ano da graduação foi de 35,21%, sendo maior entre as mulheres (43,37 vs 27,34%, p<0,001).  Na análise do seguimento, a prevalência de excesso de peso (sobrepeso e obesidade) no 3º ano foi maior entre os estudantes com depressão no baseline comparados aos que não apresentavam essa condição, em ambos os sexos [Masculino: 45,07 vs 28,63%; p=0,009; RP=1,57 (IC 95% 1,14-2,18); Feminino: 26,02 vs 14,00%; p=0,007; RP=1,86 (IC 95% 1,17-2,93)]. De modo geral, todos os estudantes apresentaram aumento do IMC ao longo do acompanhamento. No sexo masculino, o IMC foi maior entre estudantes com depressão comparados aos sem depressão no 2º (23,78 vs 22,60kg/m2; p=0,005) e 3º ano (24,60 vs 23,00kg/m2, p=0,006). No sexo feminino, as estudantes com depressão no baseline apresentaram maiores valores de IMC no 1º (21,80 vs 21,22kg/m2; p=0,003) e no 2º ano (22,05 vs 21,50kg/m2; p=0,032). A presença de sintomas depressivos no 1º ano da graduação associou-se tanto ao maior aumento do IMC, quanto ao excesso de peso, em ambos os sexos.


Palavras-chave


Depressão, Adiposidade, Estudantes.