Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

Tamanho da fonte: 
Apneia obstrutiva do sono e fatores associados em motoristas de ônibus coletivos de uma capital brasileira de médio porte
Bruna Argôlo Soares, Luiz Cesar Nazário Scala

Última alteração: 20-10-19

Resumo


A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é uma doença subdiagnosticada, causada pelo colapso das vias aéreas superiores durante o sono, com hipóxia repetitiva, microdespertares, sonolência diurna excessiva e fadiga. É considerada um problema de saúde pública, capaz de causar danos econômicos, familiares, sociais e à saúde com aumento do risco de acidentes em casa, no trabalho e, no trânsito. Considerando: i) que no Brasil, e em Mato Grosso, a matriz rodoviária urbana é predominantemente caracterizada pelo transporte rodoviário; ii) que no Brasil 60% dos motoristas de ônibus apresentam, pelo menos, uma queixa ou problema de sono; iii) que estimativas mundiais sugerem que 1 a 20% dos acidentes de trânsito são causados por falta de atenção e sonolência excessiva, o objetivo deste estudo é analisar a prevalência de risco de apneia do sono, sonolência diurna excessiva e fatores associados, em motoristas de ônibus coletivos que trafegam em Cuiabá, Mato Grosso. Trata-se de um estudo de corte transversal com 144 motoristas de ônibus coletivos maiores de 20 anos, realizado em 2019. Por meio da aplicação de questionários validados, Escala de Sonolência de Epworth (ESE), Questionário STOP-Bang (SB) e de Berlim (QB), foram obtidos dados demográficos, socioeconômicos, antropométricos, de hábitos de vida, clínicos e hemodinâmicos. Foram utilizados os critérios antropométricos da Organização Mundial de Saúde, e a média das 2 últimas medidas sob o ponto de corte PA ≥140/90mmHg, ou uso de anti-hipertensivos para diagnóstico de hipertensão. Os motoristas com escores ESE > 10, SB >3 e QB ≥ 2, foram considerados de risco para as variáveis dependentes sonolência diurna excessiva e alto risco de apneia do sono. Após dupla digitação, as associações entre as variáveis foram analisadas por meio da regressão de Poisson, com estimativas de razão de prevalência e respectivos intervalos de confiança (95%). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da UFMT. As características dos 144 indivíduos, todos do sexo masculino, foram: idade média 45,3 anos, predomínio da raça/cor parda (61,1%), a maioria com índices antropométricos aumentados, sedentarismo em 60,4%, tabagismo em 14,5%, hábito alcoólico em 53,4%, ingestão de café em 90,2%, acidentes de trânsito em 56,9%, hipertensão arterial sistêmica em 24,3%, diabetes e dislipidemia autorreferidas, respectivamente em 8,3% e 6,2%, excesso de peso ocorreu em 77,1%, sendo 43,1% com sobrepeso e 34,0% com obesidade.  A ESE revelou sonolência diurna excessiva em 32,6% associada a circunferência do pescoço (≥41 cm), e excesso de peso, o QB demonstrou alto risco de apneia do sono em 56,3% associado à hipertensão arterial e circunferência da cintura (≥94 cm) e o SB revelou alto risco de SAOS em 49,3%, associado a percepção de preparo físico e retirada da pele do frango às refeições. Estes resultados revelam que os motoristas de ônibus coletivos de Cuiabá pertencem a um segmento profissional vulnerável, com alto risco cardiovascular e de acidentes de trânsito.

Palavras-chave


Apneia do sono, motoristas de ônibus, questionários de rastreamento.