Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Qualidade de vida de professores do ensino fundamental de Cuiabá-MT: fatores sociodemográficos, ocupacionais e de saúde
Ediálida Costa Santos, Mariano Martínez Espinosa, Samira Reschetti Marcon

Última alteração: 10-10-19

Resumo


A saúde e qualidade de vida constituem entre si complexas relações, subordinadas ao contexto social, cultural, econômico, questões físicas e emocionais. Uma vez que o trabalho é uma atividade de caráter social que pode influenciar na qualidade de vida e considerando que os professores lidam rotineiramente com situações estressantes, o objetivo desta pesquisa foi avaliar a qualidade de vida de professores do ensino fundamental e comparar com fatores sociodemográficos, situação funcional, distúrbios de voz, transtornos mentais comuns e sintomas osteomusculares. Trata-se de um estudo transversal com professores da rede pública do município de Cuiabá, selecionados por amostragem probabilística de todas as regiões administrativas do município (norte, sul, leste e oeste). A coleta de dados foi realizada no segundo semestre de 2017 com um questionário que incluiu um compilado de instrumentos, tais como: World Health Organization Quality Life-bref (WHOQOL-bref), Condição de Produção Vocal do Professor, Índice de Triagem de Distúrbio de Voz, o Self-Reporting Questionnaire e o Nordic Musculoskeletal Questionnaire. O projeto de pesquisa atendeu os aspectos éticos e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Muller (CEP-HUJM), cadastrado com CAEE: 59503916.7.0000.5541. Na análise da qualidade de vida, pelo instrumento WHOQOL-bref, foi realizada a verificação da distribuição normal dos dados, por teste de Shapiro-wilk, e constatado que a maioria dos escores dos domínios não possuía distribuição simétrica, dessa forma, foram adotados os valores da mediana para descrever os níveis mensurados e realizadas análises inferenciais com testes de Wilcoxon, Mann-Whitney e Kruskal-Wallis, com nível de significância ≤ 0,05. Foram avaliados os dados de 326 professores, com idade média de 43,01 anos e 87,12% do sexo feminino. Observou-se a prevalência de 53,1% dos professores com distúrbios de voz, 29,8% com transtorno mental comum e 76,1% com queixas de sintomas osteomusculares nos 12 últimos meses. Evidenciaram-se menores escores da mediana no domínio meio ambiente (53,13 pontos), seguido de domínio relações sociais (66,67 pontos), domínio físico (67,86 pontos) e domínio psicológico (70,83 pontos). Apresentaram maior variabilidade nos dados, as questões relacionadas à percepção da QV e satisfação da saúde, sendo observados respectivamente os valores da mediana de 75 e 50 pontos. Das análises realizadas, alguns domínios diferiram quanto ao sexo, escolaridade, tempo de deslocamento da casa para trabalho, carga horária e vínculo empregatício, entre outros. As presenças de distúrbio de voz, transtorno mental comum e queixas de sintomas osteomusculares afetaram a qualidade de vida dos professores. Conclui-se que fatores individuais, socioeconômicos, de trabalho e de saúde afetam a qualidade de vida dos professores em diferentes níveis.

Palavras-chave


Estudos transversais; Qualidade de vida; Saúde do Trabalhador.