Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Consumo da merenda escolar e características sociodemográficas: resultados da PeNSE 2015.
Mendalli Froelich, Ana Paula Muraro

Última alteração: 10-10-19

Resumo


O Programa Nacional de Alimentação escolar (PNAE) é o programa mais antigo do Brasil na área de alimentação escolar e de segurança alimentar e nutricional, sendo considerado um dos mais abrangentes do mundo quando se trata do atendimento universal dos escolares. Esse programa visa contribuir para o crescimento e o desenvolvimento biopsicossocial, a aprendizagem, o rendimento escolar e a formação de hábitos saudáveis dos alunos, por meio de ações de educação alimentar e nutricional e da oferta de refeições que cubram as suas necessidades nutricionais de todos os escolares matriculados na rede pública de educação básica. Portanto, para que o programa atinja o seu objetivo é necessário que os alunos consumam a alimentação ofertada. O objetivo desse estudo foi descrever o consumo regular da alimentação escolar nas escolas públicas do Brasil, conforme as características sociodemográficas. Foram utilizados dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2015, com alunos do 9º ano do Ensino Fundamental matriculados em escolas públicas, de todas as capitais brasileiras e Distrito Federal e de municípios das não capitais. Para analisar o consumo da alimentação escolar, os estudantes foram classificados em dois grupos: os que consomem regularmente a alimentação escolar (todos os dias ou de 3 a 4 vezes por semana) e os que não consomem a alimentação escolar regularmente (não consome, raramente, 1 a 2 dias por semana). As variáveis sociodemográficas consideradas foram: sexo, raça, faixa etária, regiões do Brasil, localização do munícipio (capital ou não capital), trabalhar e escolaridade materna. As estimativas com o intervalo de confiança foram calculadas por meio sofware estatístico SPSS, versão 23. Os resultados mostraram que apenas 27,1% (IC95%: 25,9-28,3) dos estudantes consumiam alimentação escolar regularmente. Dessa forma, nota-se uma baixa adesão à alimentação escolar, uma vez que, 86,5% (IC95%: 85,7-87,1) dos estudantes informaram que a escola fornece merenda escolar. Foi observada diferença significativa do consumo regular da alimentação escolar em relação a localização do munícipio e regiões do país, sendo menor nas capitais (20,7%; IC95%:19,3-22,3) quando comparado as não capitais (28,6%; IC95%: 27,2-30,1) e maior na região Sul (33,4%; IC95% 30,8;36,0) e Centro-Oeste (35,1% IC95%: 33,3-37) quando comparado ao Norte (21,4% IC95%: 19,7-23,3) e Nordeste (23,3% IC95%: 21,8-24,8). O maior consumo ocorreu no estado de Goiás (42,2%) e o menor no estado de Roraima (11,8%). Esses resultados podem ser explicados, pelo menos em parte, pela proporção de escolas que oferecem merenda escolar nesses estados, dado que, em Roraima 63,0 % dos estudantes informaram que a escola fornece merenda escolar, enquanto em Goiás, 84,5% informaram que a escola oferece. Para as demais variáveis sociodemográficas avaliadas, não houve diferença significativa. Observou-se, portanto, que o consumo regular da alimentação escolar é baixo entre estudantes brasileiros de escolas públicas, sendo influenciado por variáveis sociodemográficas. Esses achados são importantes para o planejamento de estratégias que incentivem o consumo da alimentação escolar, uma vez que, apenas o fornecimento das refeições nas escolas não está sendo suficiente para atingir a universalidade do atendimento.


Palavras-chave


Alimentação escolar; Adolescentes; Consumo de alimentos.