Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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A importância do ato simbólico de nomeação: um estudo sobre o uso da linguagem, valorização e visibilidade de mulheres no campo científico
Vanessa Alves Freitas, Elton Rogério Corbanezi

Última alteração: 01-10-19

Resumo


Os benefícios resultantes da cisão entre a vida privada e pública permitiram a integração das mulheres nas instituições de ensino, porém, é possível identificar que elas seguem marginalizadas como não sujeito na linguagem, o que compromete a compreensão da realidade social. A Lei 12.605/2012 concedeu o direito de visibilizar e valorizar a participação feminina na vida pública através da utilização da flexão de gênero nas titulações obtidas por mulheres. No Brasil, em 2017, as mulheres representaram 61% das discentes concluintes na modalidade de ensino superior (INEP, 2018). A participação feminina, de discentes, nos cursos de pós-graduação stricto sensu também foi superior à masculina, atingindo 53,5%, em 2017 (CAPES, 2018). Nesse mesmo ano, a participação feminina no quadro docente de ensino superior não superou a masculina, que foi de 54%, e nos campi da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), as docentes chegaram a atingir 48,8% de participação. Mas, a participação feminina no quadro docente de cursos de pós-graduação stricto sensu foi de 42% na amostra total de instituições brasileiras, em 2017. Na UFMT – campus Cuiabá, a participação feminina diminuiu para 40% no quadro docente, mas continuou sendo expressiva no quadro discente, que também contou com 61% de discentes mulheres ativas, em 2017. Neste sentido, é possível concluir que a figura masculina ainda é reconhecida como detentora do conhecimento, embora, atualmente, as mulheres sejam maioria em mão de obra qualificada. Isso continua ocorrendo pois a cultura vigente é transmitida às novas gerações pelo processo de socialização, que utiliza diversas técnicas para a manutenção da hegemonia masculina. A linguagem é uma dessas técnicas, capaz de transmitir significados implícitos às atrizes sociais. Ao participar do campo científico, a pesquisadora se adéqua às regras que norteiam esse campo e acaba contribuindo com o mecanismo da hegemonia masculina para conseguir se manter na luta concorrencial pelo monopólio científico. A norma culta da língua portuguesa exige o uso da linguagem compreendida como ‘neutra/universal’, sob a justificativa de facilitar a leitura/compreensão. Mas, a própria Academia Brasileira de Letras utilizou como argumento a falta da flexão de gênero na palavra ‘brasileiros’, contida no código civil, para banir as mulheres deste campo por décadas, e atualmente apenas 2,7% de mulheres ocupam cadeira na ABL. O cenário da Academia Brasileira de Ciências é similar, pois, após 103 anos de existência, nunca foi presidida mulher. Se as mulheres têm sido maioria na produção do conhecimento, através da defesa de teses e dissertações, o campo científico se apresenta como lócus capaz de produzir transformações na realidade social. Por gozar de autonomia através do reconhecimento por pares, as produtoras de conhecimento podem autorizar mudanças na compreensão social através de uma readequação linguística que dê visibilidade às mulheres. Neste sentido, a presente pesquisa busca analisar se as discentes de pós-graduação stricto sensu da UFMT-Cuiabá, dos cursos de Educação e Estudos de Linguagem, que defenderam teses e dissertações posteriores ao decreto da Lei 12.605/2012, utilizam a flexão de gênero em suas titulações, de modo a contribuir com a valorização e o aumento da visibilidade das mulheres no campo acadêmico.


Palavras-chave


Linguagem, Flexão de Gênero, Participação Feminina, Campo Científico, Visibilidade, Valorização, Pós-Graduação