Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Itinerário terapêutico dos homens transgêneros da Baixada Cuiabana/MT
Rayssa Karla Dourado Porto, Silvia Angela Gugelmin, Marcos Aurélio da Silva

Última alteração: 10-10-19

Resumo


Em 2008, o Ministério da Saúde lança a Portaria nº 1.707 com intuito de instituir no âmbito do SUS, o Processo Transexualizador visando a atenção integral à saúde aos indivíduos que dele necessitem. Importante destacar que os homens trans passam a ser incluídos no Processo Transexualizador em 2013 a partir da Portaria nº 2.803. Trata-se de uma pesquisa desenvolvida no campo das ciências sociais e humanas na área da saúde, que busca dialogar com a antropologia e sociologia, a fim de compreender os caminhos de cuidado que os homens transgêneros percorrem ao decidir passar pelo processo transexualizador. Os sujeitos da pesquisa são homens que decidiram passar pelo processo transexualizador. Buscou-se apreender como os sujeitos da pesquisa se representam na narrativa e compreender essa como uma possibilidade de ressignificação e subjetivação. Através de entrevistas individuais com roteiro semiestruturado propôs-se conhecer o itinerário em busca de atenção à saúde. A seleção da população de estudo ocorreu por meio da técnica Bola de Neve. Após a aprovação e liberação do Comitê de Ética, identificou-se e foi realizada a entrevista de um primeiro participante. Foi solicitado a cada entrevistado que indicassem contatos de outros homens trans que atendessem aos critérios de inclusão da pesquisa. No período de Maio à Agosto foram realizadas sete entrevistas com sujeitos residentes em Cuiabá, Várzea Grande, Chapada dos Guimarães e Cáceres. Em setembro finalizou-se as transcrições das entrevistas e iniciou-se o trabalho de análise das narrativas, considerando a cultura, a historicidade, a sociedade e a performatividade do sujeito. A revisão bibliográfica sobre itinerários terapêuticos demonstra importância principalmente para observarmos como as escolhas expressam construções subjetivas individuais e também coletivas acerca do processo de adoecimento, aflição e suas formas de tratamento. Neste contexto, percebemos surgir a internet como uma ferramenta de informação e acesso a saúde. Em relação a busca por um itinerário terapêutico informal, desvela-se três pontos: primeiramente observa-se em relatos que há uma longa fila de espera para realização de tais procedimentos pelos SUS. O segundo aspecto tange a questão da falta de cobertura integral no país, pois atualmente existem onze ambulatórios para atendimentos clínicos e somente quatro instituições habilitadas pelo Ministério da Saúde para realizar a cirurgia de adequação sexual. Por último ainda podemos citar a violência e o preconceito que são considerados uma barreira para o acesso de serviços formais de saúde. Reitera-se assim que os indivíduos devem ter autonomia para escolher se desejam submeter-se ao processo transexualizador e quais protocolos das terapias hormonais desejam. No entanto, é importante destacar que os transexuais são sujeitos de direitos, e, portanto, devem-lhes ser prestado um serviço integral, humanizado, digno e, sobretudo, seguro.


Palavras-chave


: Transexualidade; Homem Transgênero; Itinerário Terapêutico.