Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Mortalidade infantil entre filhos de mães estrangeiras em Mato Grosso, no período de 2007 a 2016
Paola Marques da Costa Santos, Ana Paula Muraro

Última alteração: 08-10-18

Resumo


Introdução: os indicadores de mortalidade infantil relacionam-se às condições socioeconômicas e sanitárias da população, além de se referir a óbitos precoces, em grande parte evitáveis cujas causas perinatais (gestação, parto e pós-parto) têm elevada contribuição, pois, geralmente, podem ser preveníveis por meio de uma assistência à saúde de qualidade. No Brasil, a recepção de imigrantes vem crescendo, sobretudo mulheres. Nesse contexto, as experiências migratórias, podem fazer com que seu impacto sobre a saúde materna seja diverso. Este trabalho justifica-se pela necessidade em compreender o impacto da imigração na mortalidade infantil, pois no Brasil ainda são escassos os estudos sobre imigrantes, não sendo encontrado estudo que caracterize a mortalidade infantil entre imigrantes no país. Objetivo: Caracterizar a mortalidade infantil entre filhos de mães estrangeiras. Metodologia: estudo transversal com avaliação dos dados de óbitos infantis (menores de uma no de idade), registrados no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) dos anos de 2007 a 2016, ocorridos entre residentes no estado de Mato Grosso, sendo realizado linkage para relacionar os dados dos sistemas, por meio do programa Link plus. As variáveis de interesse investigadas foram à nacionalidade da mãe, causa básica de óbito, região de saúde, idade e escolaridade materna, início do acompanhamento pré-natal e idade gestacional. Para a classificação da causa de óbito foi utilizada a mais recente classificação brasileira de óbitos infantil denominada Lista de Causas de Mortes Evitáveis por Intervenções no Âmbito do Sistema Único de Saúde. Os dados foram armazenados e analisados pelo programa SPSS. Resultados: No período analisado, ocorreram 11 (onze) óbitos infantis filhos de mulheres estrangeiras no estado de Mato Grosso, sendo seis haitianos (54,5%), dois paraguaios (18,2%), dois bolivianos (18,2%) e um colombiano (9,1%). Quanto à causa básica dos óbitos, 81,8% foram classificados como evitáveis, sendo 36,4% reduzíveis por adequada atenção a mulher na gestação, 18,2% reduzíveis por adequada atenção a mulher no parto e 27,3% reduzíveis por adequada atenção ao recém-nascido. Quanto à região de saúde, seis óbitos (54,5%) ocorreram na Baixada cuiabana, dois (18,2%) no Médio Araguaia, um (9,1%) no Oeste Matogrossense, um (9,1%) no Sudoeste Matogrossense e um (9,1%) no Teles Pires. Referente à idade materna todas tinham mais de 21 anos e apenas duas (18,2%) mais de 35 anos. Apesar do perfil de mulheres adultas, apenas duas (18,2%) apresentou mais de doze anos de estudo e a maioria (54,5%) apresentou de oito a onze anos. Embora 63,6% das mulheres terem iniciado o acompanhamento pré-natal ainda no primeiro trimestre da gestação, oito (72,7%) evoluíram para parto pré-termo, sendo que cinco destes eram pré-termo extremo. Conclusão: a mortalidade infantil entre filhos de mulheres estrangeiras mostrou-se semelhante às brasileiras em que a maior parte foi decorrente de causas evitáveis e semelhante à literatura cuja prematuridade está dentre as principais causas dos óbitos. Os resultados apresentados reforçam a necessidade de avanços nas políticas públicas para o enfrentamento da mortalidade infantil, considerando grupos específicos como famílias estrangeiras presentes em diferentes Regiões de Saúde do estado.


Palavras-chave


Mortalidade infantil; Saúde materno-infantil; Emigração e imigração; Iniquidade em Saúde.

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