Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Prevalência de excesso de peso em adolescentes brasileiros e sua relação com variáveis sociodemográficas
Juliana Ilídio da Silva, Gisela Soares Brunken

Última alteração: 06-10-18

Resumo


A alta prevalência de excesso de peso na adolescência é de interesse para a saúde pública mundial, entretanto, identificar os fatores que contribuem para essa estatística ainda é um desafio presente e atual. A preocupação com essa faixa etária resulta do fato de ser uma etapa da vida importante a ser cuidada para prevenir morbimortalidades na idade adulta. No Brasil, nos últimos 34 anos decorridos de 1974-1975 a 2008-2009, a prevalência de excesso de peso aumentou de 7,6% para 19,4% no sexo feminino e de 3,7% para 21,7% entre os meninos. O objetivo desse estudo foi estimar a prevalência de excesso de peso em adolescentes brasileiros e sua associação com características sociodemográficas. Trata-se de estudo transversal, utilizando a base de dados do ERICA - Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes, composta por 71.740 mil escolares de 12 a 17 anos, de municípios acima de 100 mil habitantes. Foram excluídos 2.113 (<3%) adolescentes de baixo peso e muito baixo peso (escore-Z < -2) por formarem grupo muito específico e não ser possível agregar com os eutróficos (escore-Z ≥ -2 e ≤ +1). Por meio de questionário autopreenchido, foram registradas informações sobre sexo, cor da pele, idade, escola pública/privada, região geográfica, escolaridade materna e classe econômica. Peso e altura foram aferidos segundo procedimentos padronizados. Os adolescentes com escore-Z > +1 foram classificados como com excesso de peso para idade. O teste Qui-quadrado (Rao-Scott) foi utilizado para avaliar a diferença das prevalências do excesso de peso de acordo com as demais variáveis. A análise foi realizada no pacote estatístico Statistics/Data Analysis (STATA) versão 14.0, utilizando-se o módulo survey para análise de dados com amostra complexa. Foram avaliados 69.627 adolescentes. Desses, 26,2% estão acima do peso adequado para idade e sexo. Observou-se que entre as 7 variáveis analisadas, somente sexo não apresentou diferença estatisticamente significativa na prevalência de excesso de peso. As maiores prevalências foram observadas entre os adolescentes mais jovens (12 a 14 anos) (28,8%), que declararam cor da pele branca (28,5%), cujas mães apresentavam maior escolaridade (≥ 12 anos) (30,5%), que estudavam em escolas privadas (32,9%), residentes nas regiões Sul (30,7%) e Sudeste (26,5%) e entre aqueles pertencentes à classe econômica A (33,0%). A prevalência de sobrepeso/obesidade na amostra estudada foi elevada, com um em cada quatro adolescentes brasileiros classificados com sobrepeso/obesidade, reafirmando a prioridade de programas de prevenção ao excesso de peso nessa faixa etária, que além de tudo, se adequem as características e realidade de cada grupo ou extrato populacional. O perfil nutricional dos escolares serve como contribuição para o acompanhamento de tendências de excesso de peso e para a elaboração de medidas preventivas e de promoção à saúde, que leve em consideração o contexto no qual o adolescente está inserido. O controle do crescimento físico na idade escolar é um aspecto essencial e de grande serventia no controle da saúde dos adolescentes.


Palavras-chave


Adolescente; Obesidade; Sobrepeso; Escolares; Epidemiologia; Prevalência