Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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IDENTIDADE DE SANITARISTAS: INSERÇÃO E EXPERIÊNCIA DE EGRESSOS DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
Everton Rossi, Reni Aparecida Barsaglini

Última alteração: 08-10-18

Resumo


Os debates no campo da Saúde Coletiva produziram argumentos de que o Sistema Único de Saúde necessitava de uma nova estratégia de formação, a fim de impulsionar as mudanças propostas pela Reforma Sanitária, visto que apenas a formação pós-graduada (latu e strictu sensu) da área não era suficiente. Nesse sentido, foram criados os Cursos de Graduação em Saúde Coletiva (CGSC). No Brasil, estão implantados, atualmente vinte e dois (22) CGSC, com nomenclaturas não homogêneas mas, todas reconhecidas como pertencentes à Saúde Coletiva. No Estado de Mato Grosso, o CGSC é ofertado pela Universidade Federal de Mato Grosso desde 2010. Com propósitos de formação de cunho generalista, o sanitarista graduado deve possuir habilidade para compreender o fenômeno do processo saúde e doença a partir da dimensão coletiva. A emergência dos CGSC tem colocado a questão da identidade dos trabalhadores desse campo em debate, problematizando-se a diversidade de processos que conferem legitimidade à atuação e implicam o reconhecimento da identidade do “novo” sanitarista. Este estudo busca responder a seguinte pergunta: A partir da experiência de egressos dos CGSC da UFMT, como vem sendo construída sua identidade profissional e suas relações com o processo de construção da carreira profissional como trabalhadores da Saúde Coletiva no Estado de Mato Grosso? Portanto, objetiva-se analisar identidade e inserção profissional com enfoque a partir da experiência de egressos do CGSC desta universidade. Para tanto, considera-se o cotidiano como reino da experiência, e adota-se referencial compreensivo: para experiência e vida cotidiana baseia-se em conceitos da Fenomenologia de Alfred Schutz e da Sociologia do Conhecimento de Peter Berger e Thomas Luckman; para profissionalização apoia-se em conceitos oriundos da Sociologia das Profissões de Eliot Freidson e para identidade profissional ancora-se em Claude Dubar e Stuart Hall. A experiência enfoca a ação social e, portanto, o sujeito no mundo da vida compreendendo a estrutura como processo e impedindo que o sujeito seja excluído da história. A vida cotidiana origina-se nos pensamentos, nas ações e é interpretada, dotada de sentido, modificada e/ou reproduzida pelo ser humano em que a intersubjetividade tem seu lugar privilegiado. A interpretação do mundo cotidiano é realizada a partir das experiências próprias e de um estoque de experiências anteriores. As ações cotidianas (praticas, interpretativas) dos egressos do CGSC/MT possibilitarão compreender as influências e significados da formação profissional e inserção no mundo do trabalho na respectiva constituição da identidade profissional. As identidades resultam do encontro entre trajetórias socialmente condicionadas e campos socialmente estruturados podendo ser apreendidos na interseção de três campos não estanques e que transcorrem em biografias singulares, a saber: a formação acadêmica; a trajetória profissional e o mundo vivido do trabalho. Para tanto, a proposta metodológica privilegiará a produção dos dados por meio da realização de entrevistas compreensivas guiadas por roteiro temático semi-estruturado para aprofundamento das questões e os relatos em primeira pessoa – sujeito da experiência. Os dados serão analisados pela técnica de Analise de Conteúdo Temática. O projeto será submetido ao Comitê de ética para pesquisas com seres humanos.