Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Omissão de refeições e sintomas depressivos em estudantes universitários
Lorena Barbosa Fonseca, Paulo Rogério Melo Rodrigues, Márcia Gonçalves Ferreira

Última alteração: 08-10-18

Resumo


O hábito de omitir refeições pode comprometer a oferta de nutrientes necessários para as funções cerebrais e o equilíbrio de neurotransmissores cerebrais responsáveis pelos sentimentos depressivos. A entrada na universidade pode interferir com a regularidade da rotina alimentar, pois em muitos casos o estudante passa a assumir a responsabilidade por sua alimentação, tendo pouco tempo disponível para o preparo da mesma. A adaptação a essa nova tarefa pode resultar em omissão de refeições e/ou substituição das grandes refeições por lanches, acarretando na inadequação nutricional da alimentação. O objetivo desse estudo foi analisar a associação entre a omissão das grandes refeições e sintomas depressivos em estudantes universitários. Estudo transversal, com estudantes de 16 a 25 anos de idade, que ingressaram nos cursos de graduação de período integral na Universidade Federal de Mato Grosso, campus Cuiabá, em 2016 e 2017. Os dados foram coletados por questionário autoaplicado. A presença de sintomas depressivos foi avaliada por meio do instrumento Patient Health Questionnaire-9. Nesse instrumento, a pontuação das questões com relação à presença de sinais/sintomas varia de 0 a 3, considerando valores ≥ 9 como ponto de corte para identificar a presença da doença. Os hábitos de consumo de refeições analisados se referiram às grandes refeições [desjejum, almoço (comida) e jantar (comida)], obtidos pela pergunta: “Em média, com que frequência você faz as seguintes refeições: café da manhã, almoço (comida),  jantar (comida)?” e as respostas foram agrupadas em “diário = consumo regular da refeição” e não diário = consumo irregular da refeição/omissão de refeições. A classe econômica foi avaliada pelo critério da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP). A associação entre as variáveis de interesse e os sintomas depressivos foi estimada pelo teste do Qui-quadrado. Análise de Regressão de Poisson foi utilizada para estimar a associação entre o hábito de omissão de cada uma das refeições analisadas e a presença de sintomas depressivos, com ajustes dos modelos por sexo, idade, classe econômica, IMC e estresse percebido. As análises estatísticas foram conduzidas no software STATA, versão 11.0. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Müller, sob parecer nº 1.006.048. Foram avaliados 1.113 estudantes, sendo 50,7 % do sexo feminino, com idade média de 18,8 anos (±1,52). A prevalência de sintomas depressivos foi de 36,8%, sendo maior entre as mulheres (44,6 vs 28,8%; p<0,001) e sem diferença para faixa etária e classe econômica (p>0,05). O desjejum foi a refeição mais omitida (52,1%), sendo essa omissão maior (p=0,009) na categoria que agrupou as classes econômicas C, D e E (57,6%) do que na classe A (53,9%) e B (47,3%), sem diferença entre os sexos. A presença de sintomas depressivos se associou à omissão do desjejum (p=0,003) e do almoço (p=0,028), após ajuste para potenciais confundidores dessa associação. Nesse estudo a omissão de duas grandes refeições mostrou-se associada à presença de sintomas depressivos entre jovens universitários.

Palavras-chave


depressão; refeições; estudantes; universidades

Referências


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