Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Homicídios no estado de Mato Grosso, Brasil, 1996 a 2016
Franciele Silvia de Carlo, Michele de Melo Mariano, Ligia Regina de Oliveira

Última alteração: 08-10-18

Resumo


A expressão máxima de violência é o homicídio. O ato de tirar a vida de outra pessoa, seja qual for o motivo, é considerado indicador universal da violência social. A violência é encarada como questão de saúde pública, vistas as elevadas taxas de mortalidade e morbidade. Para o setor saúde, o homicídio é definido como morte por agressão, independente da sua tipificação legal e é o principal responsável pelos elevados índices de mortalidade da população mundial. A relevância do estudo parte da compreensão do cenário atual, que permitirá o conhecimento dos fatores que impulsionam a evolução da violência letal, e possibilitará o fornecimento de subsídios para construção de políticas públicas, a fim de reverter a realidade e evitar mortes precoces. Desta forma, este trabalho tem como objetivo analisar a evolução da mortalidade por violência no estado de Mato Grosso, no período de 1996 a 2016. Foram calculadas as taxas de mortalidade por homicídio, utilizando os dados fornecidos pelo Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde, e a população foi baseada nos dados censitários e estimativas do Instituto de Geografia e Estatística, ambos disponíveis no site do DATASUS/MS. Os resultados mostram que a taxa de homicídios (100 mil habitantes), no Brasil, em 2016, foi 30,3/100.000, enquanto que em 1996 a taxa era de 24,8, revelando um aumento de 22,2%. No estado de Mato Grosso, o crescimento da taxa mostrou comportamento semelhante, com 29,5 óbitos/100.00 habitantes em 1996 e 35,8 em 2016, resultando em aumento de 21,4%. Os números ainda revelaram sobremortalidade masculina em Mato Grosso, quando se observou que, em 1996, a taxa foi registrada 49,4/100.000 para o sexo masculino e 8,0/100.000 para o sexo feminino e em 2016 foi de 63,9/100.000 e feminina de 6,6/100.000 respectivamente, indicando razão de sexo de 9,6. Os achados sugerem também o deslocamento das mortes para faixas etárias mais jovens. Em 1996, a taxa homicídio de Mato Grosso, em pessoas de 15 a 19 anos, foi de 22,2/100.000 e em 2016, cresceu para 57,2/100.000 e, entre as pessoas de 20 a 29 anos, passou de 50,5/100.000 para 61,6/100.000 nos mesmo período. Nas regiões de saúde do estado, notou-se que a taxa de mortalidade por homicídios oscila ao longo dos anos e regiões. Destaca-se a região Noroeste que em 2005 registrou a maior taxa de homicídios de todo o período (69,4). Ao considerar o ano mais recente (2016), a região de Alto Tapajós teve maior taxa de mortalidade (52,1), seguida das regiões Vale do Peixoto (49,2) e Sul (47,0). A menor taxa naquele ano foi verificada na região Norte Araguaia Karajá, que não registrou nenhum óbito, seguida das regiões Norte (11,9) e Médio Araguaia (16,2). O mote multifatorial do tema representa a indispensabilidade de articulação intersetorial e interdisciplinar, que incluem esforços da educação, economia, política, justiça, assistência social, organizações da sociedade civil e terceiro setor, além do setor saúde.

Palavras-chave


violência; homicídio; distribuição temporal.

Referências


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