Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Homicídios em homens jovens no estado de Mato Grosso, Brasil, 1996 a 2030
Franciele Silvia de Carlo, Michele de Melo Mariano, Ligia Regina de Oliveira

Última alteração: 08-10-18

Resumo


A expressão máxima de violência é o homicídio. O ato de tirar a vida de outra pessoa, seja qual for o motivo, é considerado indicador universal da violência social. A violência é encarada como questão de saúde pública, vistas as elevadas taxas de mortalidade e morbidade, sobretudo, da população masculina jovem. Para o setor saúde, o homicídio é definido como morte por agressão, independente da sua tipificação legal. A compreensão do cenário atual e do que se pode vislumbrar, além da busca por políticas públicas eficientes requerem mobilização intersetorial, especialmente no que diz respeito à prevenção, desta forma, o objetivo deste estudo é analisar o comportamento acerca dos homicídios de homens jovens no estado de Mato Grosso, no período de 1996 a 2030. Trata-se de um estudo ecológico, retrospectivo de séries temporais, baseado em dados secundários do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde. Previamente, foram calculadas as taxas de mortalidade por homicídio masculinos, ocorridos no Mato Grosso, no período de 1996 a 2017, nas faixas etárias 15-19 anos e 20-29 anos e por região de saúde. A população foi baseada nos dados censitários e estimativas do Instituto de Geografia e Estatística. Será analisada a tendência temporal da mortalidade por homicídios em homens jovens e calculadas as projeções de mortalidade até o ano de 2030.  Resultados preliminares revelaram que o estado de Mato Grosso tem população do sexo masculino e feminino com números muito próximos, mas apesar da quantidade semelhante, a taxa de mortalidade por homicídio é predominantemente superior em homens, quando se observa que, em 1996, foi registrada 49,4/100.000 óbitos masculinos e de 8,0/100.000 femininos. Em 2016 a taxa de mortalidade masculina por homicídios foi de 63,9/100.000 e feminina de 6,6/100.000. Também parece estar ocorrendo um deslocamento das mortes para faixas etárias mais jovens, haja vista que em 1996 a taxa de homicídio em homens de 15 a 29 anos em Mato Grosso foi de 67,4/100.000 e em 2016, 84,4/100.000. Nas regiões de saúde do estado, nota-se que a taxa de homicídios, especialmente na população masculina jovem, oscila ao longo dos anos e nas regiões. Destaca-se a Baixada Cuiabana que em 2001 registrou a maior taxa de homicídios masculinos de 15 a 29 anos de todo o período (208,0/100.000 habitantes). Ao considerar o ano mais recente (2016), a região do Vale do Peixoto foi a que se destacou com taxa de mortalidade de 153,5, seguida das regiões Sul (150,6) e Baixada Cuiabana (146,0). A menor taxa naquele ano foi verificada na região Norte Araguaia Karajá, que não registrou nenhum óbito, seguida das regiões Norte (11,3) e Médio Araguaia (25,0). O mote multifatorial do tema representa a indispensabilidade de articulação intersetorial e interdisciplinar, que incluem esforços da educação, economia, política, justiça, assistência social, organizações da sociedade civil e terceiro setor, além do setor saúde. A compreensão desses fatores que impulsionam a evolução da violência letal é essencial para construção de políticas públicas para homens jovens, a fim de reverter a realidade e evitar mortes precoces.


Palavras-chave


violência; homem; estudos ecológicos

Referências


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