Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

Tamanho da fonte: 
Mortalidade infantil por malformação congênita no estado de Mato Grosso: estudo ecológico no período 2007-2016
ANGÉLICA FÁTIMA BONATTI, ANA PAULA MURARO

Última alteração: 08-10-18

Resumo


As malformações congênitas é a segunda maior causa de morte em crianças menores de um ano no Brasil e adquiriu ao longo dos anos importância clínica e epidemiológica, visando obter conhecimento necessário para se adotarem medidas preventivas. O objetivo desse estudo foi verificar a tendência temporal e a distribuição da mortalidade infantil por malformação congênita em Mato Grosso-MT, no período de 2007 a 2016. Trata-se de um estudo ecológico, com dados dos sistemas de informação sobre nascido vivo (Sinasc) e mortalidade (SIM), fornecidos pela Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso. Foram calculados os indicadores referentes às taxas de mortalidade infantil e mortalidade proporcional, ambos, por malformação congênita.  A regressão polinomial foi utilizada para análise da série temporal e a regressão de join point foi empregada para o cálculo da variação percentual anual (APC). Também foi utilizado o sistema de informação geográfico (QGIS 2.18) para análise espacial da mortalidade proporcional por malformação congênita nas dezesseis regiões de saúde do Estado. Entre 2007 a 2016 foram identificados 7.732 óbitos em menores de um ano em MT, dos quais 1.622 ocorreram por malformação congênita, sendo as principais causas relacionadas às malformações não especificadas do coração (13,7%), a anencefalia (4,7%) e a gastrosquise (4,2%). O crescimento anual da proporção da mortalidade infantil por malformação congênita foi estimado em 2,86% com tendência crescente (p=0,02). No entanto a TMI por malformação congênita manteve-se estacionária no mesmo período (APC: 0,82%; p=0,30). Foram encontrados dois aglomerados da mortalidade proporcional por malformações congênitas, um na macrorregião Centro-Oeste que compreende as regiões de saúde da Baixada Cuiabana, Centro Norte, Médio Norte Mato-grossense, Noroeste Mato-grossense e Vale dos Arinos; e outro aglomerado, na macrorregião Norte referente às regiões de saúde Teles Pires e Vale do Peixoto. A mortalidade infantil por malformação congênita permaneceu estacionária no estado, porém, houve aumento dessa causa quanto à proporção de óbitos em menores de um ano de vida no mesmo período. Essa diferença nas tendências entre os indicadores pode estar relacionada a vários fatores dentre eles as iniquidades regionais em saúde quanto à cobertura dos sistemas de informações e da forma como esta organizada a rede de atenção à saúde materno infantil no estado. Algumas ações de prevenção podem contribuir para redução dos óbitos infantis por malformações congênitas em Mato Grosso, dentre eles as ações de promoção à saúde com aumento da cobertura vacinal, garantia de consultas pré-natal, para identificar possíveis riscos teratógenos, e de exames específicos, quando são necessários à identificação precoce de defeitos congênitos. Outra ação importante que envolve à vigilância em saúde diz respeito à posição que o estado ocupa no consumo de agrotóxicos, sendo este um importante fator de risco para as morbimortalidades por malformações congênitas.

Palavras-chave


mortalidade infantil, malformação congênita, série temporal

Referências


França EB, Lansky S, Rego MAS, Malta DC, França JS, Teixeira R et al . Principais causas da mortalidade na infância no Brasil, em 1990 e 2015: estimativas do estudo de Carga Global de Doença. Rev. bras. epidemiol. 2017;20(1):46-60.

 

Uecker ME, Silva VM, Moi GP, Pignati WA, Mattos IE, Silva AMC. Parenteral exposure to pesticides and occurence of congenital malformations: hospital-based case-control study. BMC Pediatrics. 2016;16:1-7.

 

Victora CG, Aquino EM, Carmo LM, Monteiro CA, Barros FC, Szwarcwald CL. Maternal and child health in Brazil: progress and challenges. Lancet. 2011;377 (9780):1863-76.