Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Caracterização das vítimas graves de acidentes de trânsito internadas no Hospital de Referência em Urgência e Emergência no município de Cuiabá, Mato Grosso em junho de 2018.
Kelly Cristina Teixeira Brandão de Andrade, Ligia Regina de Oliveira

Última alteração: 08-10-18

Resumo


Os acidentes de trânsito configuram importante causa de morte, lesão e incapacidades, gerando um aumento na demanda por serviços de saúde, além de consequências econômicas e sociais graves. Estimativas da Organização Mundial da Saúde apontam que entre 20 a 50 milhões de pessoas a cada ano, sejam vítimas de lesões não fatais ou incapacidades em decorrência de acidentes de trânsito, evidenciando que as mortes no trânsito representam apenas uma pequena parcela do problema. No Brasil, em 2016, os acidentes de trânsito foram responsáveis por mais de 38 mil mortes e cerca de 209 mil internações. O objetivo deste estudo é descrever o perfil das vítimas de acidentes de trânsito internadas no Hospital Pronto Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC). Trata-se de um estudo descritivo com base em dados de prontuários e entrevistas realizadas durante a internação hospitalar. Foram realizadas 81 entrevistas com indivíduos, residentes em Cuiabá, internados durante o mês de junho de 2018 no HPSMC em decorrência de lesões por acidente de trânsito. As vítimas apresentavam idade média de 32,4 anos, sendo a faixa etária mais acometida a de 20 a 29 anos (37,0%). A maioria era do sexo masculino (71,6%) e metade informaram ter cursado o ensino médio. Em relação à raça/cor da pele 81,5% se declararam pretos ou pardos. Cerca de 84,0% das vítimas exerciam atividade remunerada, e 49,4% afirmaram que o evento estava relacionado ao trabalho. Prevaleceram os condutores (87,7%), e a motocicleta foi o meio de locomoção mais utilizado (92,6%). O tipo de lesão que predominou foram fraturas (78,0%), localizadas principalmente nos membros superiores (51,3%). O uso de dispositivo de segurança foi relatado por 92,6% das vítimas enquanto que 9,9% referiram ter consumido bebida alcoólica e 29,6% declaram não possuir carteira nacional de habilitação para conduzir. Constatou-se que indivíduos do sexo masculino, adultos jovens e motociclistas foram os principais envolvidos em acidentes de trânsito que demandaram internação. Apesar do índice satisfatório do uso de equipamentos de segurança ainda se observam condutas que podem ser propulsoras de acidentes de trânsito tais como o uso de álcool e ausência de permissão para condução de veículos automotores. Verifica-se, portanto a necessidade de atuar mais fortemente sobre esse grupo a fim de reduzir os índices de internação, incapacidades e mortes por acidentes de trânsito.


Palavras-chave


Epidemiologia; Acidentes de trânsito; Morbidade.