Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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RELAÇÕES DE TRABALHO ENTRE A GERAÇÃO Z E DEMAIS GERAÇÕES
Pâmela Ingrid Simioni Costa

Última alteração: 04-10-18

Resumo


Este artigo discute o projeto de pesquisa do mestrado em Sociologia ICHS-UFMT e tem como tema o estudo “das relações entre diferentes gerações no locus de trabalho”, sendo o objeto de estudo a Geração Z e as demais gerações. Em vista disso, o objetivo geral é analisar os motivos que levam ao desencadear de conflitos entre tais grupos quando em processo de trabalho, tendo como local da pesquisa o Hospital Santa Rosa, localizado em Cuiabá. Os objetivos específicos são identificar os principais pontos de convergências e divergências nesses ambientes, compreender os valores da Gen-Z nas relações de trabalho e entender a trajetória de formação pessoal e profissional das demais gerações que estão em contato profissional com aquela. A metodologia é a qualitativa e os procedimentos de pesquisa são entrevistas semi-estruturadas em profundidade, observação e análise de documentos. No primeiro capítulo, trabalhamos com categorias que permeiam as gerações, à luz de autores como Mannheim (1974), Foracchi (1982), Eisenstadt (1976) e Oliveira (2016), bem como uma leitura histórica das gerações. Também são trabalhados os conceitos de modernidade e pós-modernidade no segundo capítulo, a fim de mostrar nesses períodos históricos as implicações socioculturarais nos locais de trabalho, em especial, para a Geração Z. Para isso, nos pautamos em autores como Giddens (1990) e Bauman (2011, 2007, 2001), nos clássicos Marx (1998) e Durkheim (1999) para embasar o estudo a respeito das relações de trabalho e Hamel (2009), entre outros, para elucidar essas relações no tangente à Geração Z.  No terceiro capítulo discutimos os resultados preliminares que mostram uma incidência no que diz respeito à resistência que os indivíduos mais velhos têm em relação aos jovens, no ambiente de trabalho, devido a fatores, como imaturidade, inovação, questionamento, falta de foco e de responsabilidade quanto às atividades e horários. Por outro lado, esboça-se um cenário com poucos conflitos (diretos) e diálogos bem abertos, existindo liberdade para a troca de ideias. As relações se mostram diferentes em alguns aspectos devido ao trabalho desenvolvido no setor, principalmente naqueles setores que demandam inovação, como o marketing, com melhor aceitação ao perfil inovador dos jovens. Já setores que trabalham com rotinas mais enrijecidas, como a gestão de contas, mostram-se mais resistentes a essa característica. Observa-se, ainda, que a maioria dos jovens reconhece que a boa comunicação e o diálogo aberto entre os líderes e a equipe é a principal característica que um bom líder deve ter e, ainda, reconhece que essa particularidade está presente neste ambiente de trabalho. Em geral, quase que em sua totalidade e independente da geração, os entrevistados reconhecem o elogio e o feedback como as mais importantes formas de se reconhecer um bom profissional – o que vai ao encontro da característica mais citada como a mais importante em um líder. Por fim, neste capítulo, ainda, nossa intenção é elaborar considerações mais detalhadas a partir das análises das entrevistas.


Palavras-chave


Geração Z; Relações de trabalho; Conflito geracional; Gerações;

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