Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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A epidemiologia molecular como ferramenta auxiliar em estudos epidemiológicos
Viviane Karolina Vivi-Oliveira, Dandára Thaís de OliveiraFerreira, Marina Atanaka

Última alteração: 08-10-18

Resumo


Introdução: Estima-se que anualmente mais de um milhão de pessoas morrem de doenças infecciosas de origem zoonótica, principalmente as transmitidas por vetores artrópodes como mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. Arboviroses como a Dengue, Chikungunya e Zika, têm ganhado destaque estadual e mundial. A epidemiologia tradicional contribui com dados acerca da distribuição, determinantes e causas relacionadas a fim de preveni-las e realizar um controle efetivo. Contudo, existem lacunas sobre os mecanismos biológicos subjacentes às estas doenças. É neste contexto que a epidemiologia molecular (EM) no uso das técnicas moleculares aliadas aos estudos epidemiológicos podem revelar informações relevantes acerca da circulação, transmissão, prevenção e terapia destas arboviroses. Objetivo: apresentar vantagens da epidemiologia molecular como ferramenta auxiliar na pesquisa analítica. Metodologia: revisão de literatura, realizada no mês de agosto/setembro de 2018, em livros e artigos indexados na base de dados online do SCIELO e Pubmed, nos idiomas Português (Brasil) e Inglês abrangendo publicações no período de 2012 a 2018, utilizando como descritores “epidemiologia molecular”, “molecular epidemiology”, “molecular epidemiology of arboviruses”. Resultados: A EM é um produto da fusão da biologia molecular em estudos epidemiológicos, pautando-se em técnicas laboratoriais de alta produtividade. Emerge como alternativa ao cenário dominado pelas teorias básicas por modelos mais complexos de doença que associam fatores do hospedeiro, ambientais e causais. Repercute na elucidação de questões como a causa e patogênese de uma doença infecciosa, por que indivíduos apresentam respostas diferentes a um determinado patógeno, terapia/vacina específica, o motivo de alguns subtipos virais serem transmitidos com mais frequência que outros ou ainda como a transmissão de uma doença infecciosa pode ser evitada de forma mais eficaz. Observa-se a aplicação da EM em estudos de caso controle, caso controle aninhado/coorte, análises filogenéticas, estudos de filogeografia bayesiana e estudos transversais em suas diversas modalidades. Técnicas como reação em cadeia da polimerase, PCR em tempo real, hibridização com sondas de DNA, Checkerboard DNA – DNA hybridization, e sequenciamento de DNA têm sido utilizadas com maior frequência. A utilização de marcadores moleculares em permite o aprimoramento e desenvolvimento de modelos de compreensão da causalidade das doenças, garantindo maior precisão da classificação das variáveis dependentes e independentes e avaliação mais precisa da variabilidade entre indivíduos e dos critérios de susceptibilidade. Nos inquéritos e questionários aplicados em pesquisas epidemiológicas tradicionais, a EM apresenta vantagem de suplantar o problema de viés de memória ou de erros resultantes da variação na absorção, metabolismo individual ou resposta imune, enfocando um passo posterior na cadeia causal. Em estudos com arbovírus, a vantagem é a eliminação da reatividade cruzada entre diferentes flavivírus ou a acurácia determinada para a filogenia do vírus em questão. Conclusão: A EM acompanha os avanços da medicina individualizada, como a proteômica e genômica. Desafia a avaliar em níveis moleculares a variabilidade dentro e entre os indivíduos aliada às interações complexas das variáveis do indivíduo e sua relação com o ambiente. Configura como importante instrumento de vigilância promovendo a disseminação de informações relevantes e qualificadas, para orientação de ações em Saúde Pública no Mato Grosso e no país.


Palavras-chave


Epidemiologia Molecular; Infecções por Arbovirus; Saúde Pública

Referências


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