Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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A participação feminina nos cursos de pós-graduação da UFMT-Cuiabá: Um estudo sobre o uso da linguagem na cultura acadêmica
VANESSA ALVES FREITAS, Silvana Maria Bitencourt

Última alteração: 15-10-18

Resumo


A identidade de gênero não deve ser compreendida unicamente como subjetiva, pois as relações de gênero, assim como a representação social do que é ser mulher e homem socialmente é construída a partir do contexto sociocultural que cada corpo está inserido. Além disso, mulheres e homens são moldadas(os) pela linguagem discursiva, que influencia compartilharem modelos que buscam a adequação social, portanto aceitação social pautada numa idéia de “normalidade” do que seja ser mulher ou homem socialmente.

Ademais, deve-se considerar que as identidades estão em constantes possibilidades de construção, haja vista que corpos femininos e masculinos são construídos pela linguagem. Nesse sentido, a identidade de gênero deve ser entendida como um constructo performativo, construída através do discurso, como se mulheres e homens encenassem as suas identidades de acordo com suas escolhas.

Se a linguagem é uma técnica do corpo, ela determina a divisão de trabalho entre os sexos a partir das representações mentais e objetais que funcionam como estratégias interessadas de manipulação simbólica. Dessa forma, é possível dizer que mulheres e homens representam de acordo com o papel que lhes é atribuído socialmente.

Deve-se analisar que a língua não é somente um instrumento de comunicação/conhecimento, mas também é um instrumento de poder.

De acordo com dados de 2017 apresentados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o Sistema Nacional de Pós-Graduação aponta que as mulheres são maioria nessa modalidade da educação brasileira.

A transmissão cultural é monopolizada por diversas instituições sociais, inclusive aquelas vinculadas à educação básica e superior, e transmitem conhecimentos que contribuem para transformar a dinâmica das relações de gênero.

Para tanto, é possível dizer que a linguagem é usada de modo a contribuir para diminuir a dominação masculina, de modo a trazer maior visibilidade sobre a participação das mulheres no campo científico?

O imaginário simbólico se constitui de acordo com a lógica patriarcal, logo, as mulheres participantes do campo acadêmico tendem a reproduzir o apagamento das mulheres, no que se refere ao uso da linguagem, e isso contribui para reforçar a formação das identidades femininas vinculadas aos papeis tradicionais de gênero que alocam as mulheres no espaço doméstico, fazendo com que sejam recebidas como intrusas no espaço público, mais especificamente na universidade.

Este trabalho objetiva analisar a formação discursiva das/dos discentes de pós-graduação da UFMT-Cuiabá e a compreensão destas(es) quanto as identidades femininas, bem como suas opiniões sobre a participação das mulheres no campo acadêmico para identificar se a universidade têm funcionado como aparelho de reprodução da dominação masculina.

Esta pesquisa de natureza básica é de abordagem mista e a técnica de coleta consistirá em documentos e questionários auto-administrados, a fim de analisar os dados com base em análise de conteúdo, bem como por estatística univariada e multivariada, possibilitando elucidar questões que contribuam para o deslocamento da mulher da invisibilidade que sustenta todo o ciclo de desigualdade de gênero em diversas instituições sociais, neste caso a universidade.


Palavras-chave


Cultura Acadêmica, Linguagem, Mulheres, Pós-graduação

Referências


Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Mulhres são maioria na pós-graduação brasileira, 2017. Disponivel em: http://www.capes.gov.br/sala-de-imprensa/noticias/8315-mulheres-sao-maioria-na-pos-graduacao-brasileira. Acessado em 04 de outubro de 2018