Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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COMPREENDENDO A PESSOA EM EXPERIÊNCIA SUICIDA A PARTIR DE UM SERVIÇO DE PLANTÃO PSICOLÓGICO
Felipe Rodrigues Alves, Ana Rafaela Pecora Calhao

Última alteração: 05-10-18

Resumo


O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial, sendo considerado atualmente um sério problema de saúde pública, visto que uma quantidade significativa de pessoas no país têm tido como escolha o aniquilamento da própria existência. A partir dessa constatação decidimos elaborar um projeto de pesquisa que possibilitasse compreender o que se passa com as pessoas em experiência suicida, tendo como base teórica a Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), desenvolvida pelo psicólogo norte-americano Carl Rogers (1902-1987). Da produção de Rogers foi escolhido, especialmente, um conceito, o de Tendência Atualizante, e uma de suas teorias, a Teoria de Personalidade, que oferecem respaldo para a compreensão do tema em questão. Esclarecemos que chamamos de “experiência de suicida” todas as ideias, planejamentos ou tentativas de morte. Essa pesquisa se justifica pela importância do tema e dele ser foco nos Programas de saúde atuais, bem como por haver uma escassez de pesquisas e discussões envolvendo a ACP e a experiência suicida, demonstrada pelo levantamento dos dados em periódicos científicos, tais como PePSIC, SciELO e BVS PSI. Diante do que foi exposto, temos interesse de promover uma discussão capaz de responder a alguns questionamentos alinhados à compreensão teórico-conceitual da Tendência Atualizante: “Se há uma tendência direcional ao crescimento e à vida, tal como proposto por Rogers, de que maneira justificar uma experiência pessoal marcada por autoagressão e aniquilamento da existência?” Rogers não abordou a temática do suicídio particularmente, porém, em sua Teoria de Personalidade, aborda e responde uma questão similar às indagações supracitadas, nos seguintes termos: Se há uma descrição razoável do funcionamento da consciência quando tudo corre bem, por que então o conflito se desenvolve em muitos de nós, a ponto de organicamente nos movermos em uma direção e a vida consciente em outra?. Rogers encontra no jogo de forças antagônicas (tendência realizadora x contexto sociocultural) fundamento que justifica alguns conflitos e distorções presentes na pessoa humana. Para a realização desta pesquisa intencionamos atender clinicamente, mediante a oferta de Plantão Psicológico, norteado pelos princípios da ACP, pessoas que estejam experienciando ideias, planejamentos ou tentativas de morte em suas vidas. Informamos que essa pesquisa iniciará com a prestação de atividades de colaboração gratuita e espontânea junto à triagem do Núcleo Psicossocial do Hospital Universitário Júlio Muller, realizada por um dos pesquisadores, no período de outubro de 2018 a dezembro de 2019. Posteriormente à prática voluntária supervisionada e refletida, daremos início à coleta de dados prevista para o período de fevereiro a maio de 2019, após aprovação do Projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Ressaltamos que, após a assinatura no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pelos participantes, as entrevistas serão gravadas, transcritas e analisadas à luz da ACP e da literatura e pesquisas sobre o tema.


Palavras-chave


Experiência Suicida; Plantão Psicológico; Tendência Atualizante; Abordagem Centrada na Pessoa