Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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Influências do herbicida Glifosato no ciclo estral de ratas Wistar.
ALINI MARTINS, Thiago Marques de Brito

Última alteração: 08-10-18

Resumo


Introdução: Defensivos agrícolas ou agrotóxicos são os termos comumente utilizados para designar substâncias cuja função é atuar na produção, armazenamento e benfeitoria da produção agrícola em geral (BRASIL, 1990). Dada a larga produção e utilização dessas substâncias (Moragas e Schneider, 2003), constitui-se como amplo tema de pesquisa, e a questão dos possíveis efeitos nocivos sob espécies não alvo destaca-se, à exemplo, os estudos que apontam para certos defensivos agrícolas como desreguladores do sistema endócrino (Moniz et al., 2005; Laessig et al., 2007; Romano et al., 2009). Destarte, parece válido questionar de que maneira esses produtos poderiam afetar processos fisiológicos desta categoria, como o ciclo reprodutivo em fêmeas de certas espécies de mamíferos (ciclo estral). Caracterizado como uma sequência de eventos controlados por secreção de hormônios da hipófise – glândula localizada na base do encéfalo – e dos ovários (Carlson, 2002), inicia-se a partir da maturação sexual e dura 4 dias, em geral, dividindo-se em quatro fases: proestro, estro, metaestro e diestro (Marcondes et al., 2002)  e trata-se de um processo fundamental para a continuidade das espécies. Sendo assim, pode-se questionar: qual o grau de influência de determinados defensivos agrícolas, mais especificamente, o herbicida Glifosato (largamente utilizado e caracterizado com baixa toxicidade) no ciclo estral de fêmeas? Objetivo: Pretende-se avaliar o grau de influência que o herbicida Glifosato pode ter sobre cada uma das quatro fases do ciclo estral e na manifestação de comportamento sexual de ratas Wistar, bem como em medidas comportamentais de esquiva, impulsividade, ansiedade e depressão. Referencial Teórico: Uma vez que o ciclo estral em fêmeas de certas espécies de mamíferos é controlado pelo sistema endócrino, pressupõe-se que substâncias que possuam efeitos de desregulação endócrina interfiram de alguma maneira neste ciclo, e, consequentemente, na manifestação de comportamento sexual. O herbicida Glifosato é um tipo de defensivo agrícola que demonstrou possuir efeitos de desregulação endócrina em espécies não alvo. Em seu estudo de revisão acerca da toxicidade do glifosato, Romano et al., (2009) apontam para o fato de que, embora seja considerado medianamente tóxico, facilmente adquirido e largamente usado, essa substância interfere no eixo hipotalâmico-hipofisário-gonodal, que compõe o sistema endócrino e é responsável pelo ciclo reprodutivo de diversas espécies, através da produção e liberação de hormônios. O glifosato interfere neste mecanismo, causando problemas de cunho reprodutivo sem acarretar outros prejuízos no desenvolvimento global. Método: Para avaliar se o Glifosato é capaz de interferir no ciclo estral de ratas Wistar, faz-se necessário a utilização de dois grupos de sujeitos, um que se exporá diretamente ao herbicida e outro que passará apenas pelo procedimento de exposição, sem contato com a substância. A análise microscópica de material coletado do canal vaginal dos sujeitos é capaz de indicar com precisão se houve alterações no ciclo, bem como a verificação da manifestação de comportamento sexual que ocorre nas fêmeas durante a ciclagem, especialmente na fase do estro. Para as medidas de esquiva, impulsividade, ansiedade e depressão, se utilizarão equipamentos referidos na literatura que criam situações capazes de produzir nos sujeitos tais manifestações comportamentais.


Palavras-chave


desregulação endócrina; ciclo estral; Glifosato.

Referências


BRASIL. Lei n. 7602- 11 jul. 1989: Lei dos Agrotóxicos. Brasília : IBAMA, 1990.

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