Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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VACINAÇÃO INFANTIL NO DISTRITO SANITÁRIO SUL DO MUNICÍPIO DE RONDONÓPOLIS-MT
Patrícia Lima Lemos, Olga Akiko Takano

Última alteração: 08-10-18

Resumo


A redução da morbimortalidade de doenças imunopreveníveis, sobretudo nas últimas décadas do século XX, representa um importante avanço dos programas de vacinação mundialmente. No Brasil, desde 1973, o Programa Nacional de Imunização (PNI), representa uma das maiores conquistas em saúde pública, sendo que o conhecimento da cobertura vacinal e a identificação dos fatores associados à não vacinação são fundamentais para monitorar seu desenvolvimento. O objetivo consistiu em analisar a diferença entre os percentuais de doses oportunas e aplicadas de vacinação em crianças do distrito sanitário sul do município de Rondonópolis-MT. Foi realizado inquérito domiciliar no município de Rondonópolis e seus distritos sanitários com amostragem estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), totalizando dois inquéritos para a coleta de informações sociodemográficas e situação vacinal de crianças. A população de estudo compreendeu uma coorte de nascidos vivos no ano de 2015, de pais e/ou responsáveis residentes no município. Foram analisados dados parciais de 130 crianças pertencentes ao distrito sanitário sul. As fontes de informações foram a fotografia da caderneta de vacinação das crianças visitadas e questionário de saúde socioeconômico. Verificou-se a vacinação por dose para cada uma das vacinas do calendário, até os 12 meses de idade, conforme os intervalos estabelecidos pelo PNI, e, classificou-se como dose oportuna - que considera a idade mínima e máxima de cada vacina, e dose recebida. Do total de 130 crianças pertencentes ao distrito sul, 50,8% (n=66) eram do sexo feminino; média de idade de 24 meses, 53,8% (n=70) eram da cor parda e a maioria (79,2%) possuía cadastro em unidade de saúde da família. Foram encontradas diferenças entre doses oportunas e aplicadas, para cada vacina, a saber: 4,6% para BCG; 10% para 1ª dose, 28,5% 2ª dose e 46,3% 3ª dose da pentavalente; 8,5% para 1ª dose, 27% 2ª dose e 44,6% 3ª dose da vacina contra poliomielite (VIP/VOP); 11,6% para 1ª dose e 3,9% 2ª dose da pneumocócica;  3,9% para 1ª dose e 17,7% 2ª dose da rotavírus;  17,7% para a 1ª dose e 35,4% 2ª dose da meningocócica;  38,4% para dose única da febre amarela;  81,5% para hepatite A  e 61,6% para tríplice viral. Diante do exposto, observa-se o aumento gradativo da diferença entre doses aplicadas dentro do intervalo correto e somente aplicadas, entre 1ª, 2ª e 3ª doses. Cabe pontuar a necessidade de incentivar a vacinação dentro dos intervalos preconizados, com destaque a hepatite A que apresentou o menor percentual de dose oportuna. Por fim, salienta-se a importância da vacinação oportuna, pois favorece a imunogenicidade e diminui a exposição às doenças imunopreveníveis.


Palavras-chave


Cobertura vacinal, programa nacional de imunizações; inquérito epidemiológico.

Referências


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