Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

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A ESCOLA E A INCLUSÃO DE PCD: UMA ANÁLISE SOBRE A REPRESENTAÇÃO SOCIAL DOS PROFESSORES
MARIA TEIXEIRA, Maria Teixeira, Francisco Xavier Freire Rodrigues

Última alteração: 15-10-18

Resumo


Esta pesquisa propõe analisar a representação social de professores que ministram aulas no ensino médio, voltadas para o ensino aprendizagem de pessoas com deficiência. O intuito é observar, quais as representações dos docentes que estão lidando com a presença de estudantes com deficiência, que passaram a fazer parte do público das escolas de ensino médio regular, a partir da lei de inclusão, n°6.571/ 2008. Está sendo realizada uma pesquisa qualitativa, na Escola Estadual André Avelino Ribeiro, no município de Cuiabá/MT. A coleta de dados está sendo obtida a partir de técnicas, tais como: pesquisa bibliográfica; pesquisa documental; entrevistas semiestruturadas; questionário fechado; visitação, observação e nota de campo. Tem como objetivo analisar a representação social dos professores, em relação a pessoas com deficiência inclusa nas salas de aula, do ensino médio regular; entender as representações de experiências e de vivência dos professores do ensino médio de Escolas Públicas, em lecionar para pessoas com deficiências; observar o olhar do professor sobre a inclusão de pessoas com deficiência no ensino médio e refletir sobre as dificuldades dos professores ao trabalharem com a escola inclusiva. O embasamento teórico será pautado em autores que trabalham com a teoria das representações sociais, tais como: Durkheim, Moscovici e Jodelet; conceitos sobre instituição social e educação, numa visão Durkheimiana, onde educação exerce uma função social; também a obra “Estigma”, de Goffman, na qual ele discorre sobre os indivíduos estigmatizados (colocados à margem) pela sociedade; e autores, tais como: Maria Teresa Égler Mantoan e Marcos J. S. Mazzotta, que discorrem sobre a inclusão de PCD, políticas públicas, e sobre o processo de exclusão e inclusão social, através da educação. A pesquisa empírica está em andamento, o que possibilitou verificar através de observação participante e entrevistas com a equipe gestora, e com as professoras responsáveis pela sala multifuncional da escola, alguns pontos positivos e negativos da inclusão de PCD. Como pontos positivos podemos citar: a) aceitação e interesse por parte da equipe gestora da escola em matricular e incluir o PCD no ensino médio, se desdobrando para atender a necessidade específica de cada um; b) alguns professores tentam, mesmo sem ter uma formação específica, inclui-los em suas aulas de forma produtiva; c) professoras da sala multifuncional que se empenham para auxilia-los, fazendo muitas vezes o papel de alfabetizadoras. Como pontos negativos, destacamos: a) a resistência por parte dos professores em se adequar ao sistema de educação inclusiva: b) angústia dos docentes em trabalhar com a inclusão devido à superlotação de alunos em salas de aula, (média de 40 alunos por sala); c) falta de ajuda de um psicólogo na escola; e) falta de sensibilização por parte dos colegas, a maioria destes, não respeita as diferenças. Esse estudo está se desenvolvendo sob um viés sociológico procurando olhar cuidadosamente para o papel do professor neste processo de inclusão, evidenciando a diversidade do público que faz parte do dia a dia escolar, entre estes, estudantes com deficiências de diversos tipos, levando a reflexões sobre as representações sociais dos docentes ao lidar com estas novas demandas sociais.


Palavras-chave


Inclusão de Pessoa com Deficiência; Escola Pública; Ensino Médio; Representação Social de Professores.

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