Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, X Mostra da Pós-Graduação: Direitos Humanos, trabalho coletivo e redes de pesquisa na Pós Graduação

Tamanho da fonte: 
Determinação da dose letal, citotoxicidade, e persistência de agentes bacterianos ativos contra larvas de Aedes aegypti
Silvia Altoé Falqueto

Última alteração: 18-10-18

Resumo


O aumento da resistência do A. aegypti, vetor da dengue, zika e chikungunya, aos larvicidas químicos existentes, aliado à baixa persistência e alto custo dos larvicidas biológicos existentes traz a necessidade de encontrar novas alternativas eficientes e seguras ambientalmente e para os seres humanos. Neste trabalho, calculamos as doses letais 50 e 90 de dez sobrenadantes e 4 extratos lipopeptídicos bacterianos e testamos a persistência dos mesmos, além de determinar sua citotoxicidade e resistência a temperatura e pHs altos. As doses letais dos sobrenadantes foram calculadas aplicando os extratos em 6 doses crescentes a copos com 20mL de água e 20 larvas de terceiro ínstar, avaliando a mortalidade após 24 horas, para a construção de uma curva de dose-resposta. Para os lipopeptídeos o ensaio foi feito em tubos com 5 mL de água e cinco larvas. A persistência dos sobrenadantes foi testada diluindo os mesmos até a sua concentração letal 99, e aplicando 20 mL destes a copos com 20 larvas de A. aegypti de terceiro instar, em 0, 10, 20 e 30 dias após a diluição. Os lipopeptídeos foram novamente testados em pequena escala. Testamos a resistência a temperaturas e pH altos aplicando a) o sobrenadante não tratado, b) o sobrenadante com pH alterado para 10 por duas horas e c) o sobrenadante autoclavado por 20 minutos, a copos com 20 larvas de terceiro ínstar. Para todos os testes, a mortalidade foi avaliada após 24 e 48h. A citotoxicidade dos sobrenadantes e extratos foi avaliada por ensaio de viabilidade usando macrófagos RAW 264.7 e células VERO. O isolado Bacillus pumilus i67 teve as menores doses letais, seguido por Bacillus safensis C32 e os isolados B08 e B145, ainda não identificados. B. pumilus i67, além disso, não apresentou citotoxicidade, assim como B. safensis C32 e B145. Os extratos lipopeptídicos de Lysinibacillus xylanilyticus N11 e do isolado B64a tiveram doses letais muito baixas, porém o extrato de L. xylanilyticus N11 apresentou alta toxicidade a células VERO na dose letal 99. Os extratos lipopeptídicos de Bacillus sp. C101 e Bacillus subtilis C10 também tiveram doses letais satisfatoriamente baixas, apresentando toxicidade leve apenas às células VERO. O sobrenadante de B. pumilus i67 não teve alterações na eficácia após o tratamento térmico e alteração de pH, assim como o de B. safensis C32 e o do isolado B145. Os extratos lipopeptídicos apresentaram boa persistência no período avaliado, mantendo a atividade até o dia 22, e, no caso do extrato de B. subtilis C10, até o dia 32. Todos os sobrenadantes tiveram perda de atividade pronunciada com o tempo, mas entre eles, L. xylanilyticus N11 teve a maior persistência. Embora com persistência baixa, os sobrenadantes de i67, C32 e B145 são promissores, já que não apresentam citotoxicidade e tem menores doses letais. Os lipopeptídeos de C101 e C10 são ainda mais promissores, já que tem baixas doses letais e não são citotóxicos. Os lipopeptídeos serão submetidos a espectrometria de massa para identificação química.