Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, IX MOSTRA DE EXTENSÃO

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CORAL 3ª IDADE UFMT- DESAFIOS E RESULTADOS DE UM TRABALHO EM GRUPO.
Alexsandra dos Santos Matos, Iasmin Maria de Medeiros, Dorit Kolling de Oliveira

Última alteração: 15-09-18

Resumo


RESUMO: O Coral da 3ª Idade da UFMT é um projeto de extensão do Departamento de Artes da UFMT, em parceria com Núcleo Coral UFMT e o Programa Longevidade Saudável da Faculdade de Educação Física. O Coral oferece um trabalho artístico-cultural e social à pessoa idosa. O presente trabalho tem por objetivo abordar aspectosacercada trajetória deste grupo desde o início de suas atividades dentro da universidade, como um projeto de extensão aberto à comunidade interna e externa, tendo em vista alguns dos desafios encontrados durante o percurso, sempre levando em consideração a interação regente/coralista na terceira idade. Vários tópicos discutidos e levantados no decorrer da disposição textual são analisados com o intuito de refletir sobre os desafios, os frutos e os resultados advindos em seus 5 anos de atividades musicais. Em meio a isso, as várias performances realizadas pelo grupo também estão aqui discutidas, demonstrando a crescente participação do coro no cenário musical de Cuiabá, no movimento canto-coral de Mato Grosso e a importância que sua representatividade vem trazendo aos grupos de terceira idade. A metodologia utilizada para a confecção do presente trabalho é de caráter descritivo e de observação participante, onde pesquisador está dentro do contexto abordado. A explanaçãoenfatiza o sentimento de descoberta e êxito que cada temporada fomentou. Há evidências que o Coral da 3ª Idade é um agente ativo na transmutação da vida social do cantor idoso participante e, soma-se a isso, o benefício de pertencer a uma instituição de ensino que também é agente de crescimento intelectual, artístico, científico e social não só em Cuiabá mas de todo o Estado, que imprime uma característica de dever social cumprido pelo Projeto.

Palavras-chave: canto coral, saúde vocal, idosos, desafios e resultados.

 

INTRODUÇÃO

O Coral da 3ª Idade da UFMT é um projeto de extensão do Departamento de Artes da UFMT, em parceria com Núcleo Coral UFMT e o Programa Longevidade Saudável da Faculdade de Educação Física. O Coral oferece um trabalho artístico-cultural e social que proporciona benefícios fisiológicos e psicossociais ao idoso.

Em sua trajetória de 5 anos consecutivos, vem realizando um trabalho de desenvolvimento artístico musical e performático para a comunidade interna e externa da universidade.

DESENVOLVIMENTO

No decorrer desses 5 anos de atividades, o Coral da 3ª Idade da UFMT passou por um processo de formação e crescimento até o seu momento atual.

Com o objetivo artístico e social por meio do canto coletivo voltado a comunidade idosa externa e interna da UFMT, o Coral da 3ª Idade da UFMT realiza dois ensaios semanais com duração de 1h30 cada, além de 30 minutos  semanais, dedicados ao desenvolvimento da técnica vocal, introduzido no ano de 2017. Tal inserção deu-se após o entendimento e planejamento da equipe, tendo em vista a necessidade de exploração e ampliação das possibilidades vocais do grupo. Assim, indicamos um primeiro desafio enfrentado pela equipe ao longo dos anos de trabalho.

Atualmente, o coral conta com 66 vozes, mas nem sempre foi assim. De acordo com os registros - fichas de inscrição, relatórios de frequência - , no  início da atividade com a equipe atual, em 2013, o Coral da 3a Idade da UFMT contou com aproximadamente 22 cantoras, todas com idade acima de 60 anos.

A cada início de uma temporada, novos desafios e dificuldades surgiram, indicando que novos estímulos devessem ser pensados e resolvidos. Cabe citar, que um desses desafios se originava, a princípio, com o retorno dos cantores de um ano para outro e o ingresso de novos coralistas, o que gerava  um novo perfil ao grupo, visto que essas novas vozes precisavam ser amalgamadas ao grupo descrito, independente de suas diferenças de timbre, por exemplo.

Gerava-se então novos estímulos de trabalho. Neste caso, é importante citar o estudo realizado, que buscou solucionar problemas de técnica vocal decorrentes da prática do canto coral nestes grupos iniciantes como: respiração, ressonância, projeção vocal, articulação, afinação, timbragem, memorização, entre outros. Além disso, foram escolhidas peças corais que se trabalham apenas a voz em uníssono - uma só linha melódica - com o intuito de estabelecer todos estes requisitos propostos pela técnica vocal e criar a segurança deste grupo num ciclo de “chegar e integrar-se”, tornando-se, assim, a escolha mais sensata se levarmos em conta a preocupação de se construir um primeiro pilar de um coral: a afinação.

A cada desafio que se apresentava, soluções ou caminhos eram pesquisados, planejados, projetados, praticados e conquistados. Isso acarretou um aprendizado sob o ponto de vista individual e também coletivo dos cantores. Contudo, um processo como este, não se atém aos resultados que atingem tão somente aos coralistas, mas, sim, também às regentes, uma vez que se observou que é um processo de mudança que independe de cada ano de trabalho, pois se renovou a cada início de uma nova temporada.

Dentro desta perspectiva, foi perceptível que alguns cantores, ao ingressarem no coral, seguiam sua prática e seus estudos, participando de todas as temporadas que vieram a seguir. Tal feito acabou por oportunizar a continuidade do trabalho de técnica vocal e, consequentemente, acarretou em uma ampliação da extensão vocal do idoso, além de melhorar a qualidade sonora, perceptível ao falar e, principalmente, ao cantar.

Como consequência desse ganho de qualidade sonora, novas possibilidades, em se tratando de repertório, foram repensadas, como, por exemplo, a inclusão de canções mais diversificadas, mesmo que ainda uníssono. Assim, canções com novos desafios rítmicos e melódicos foram incorporados ao repertório do grupo.

Se nos dois primeiros anos o maior objetivo do grupo voltou-se para superar os limites da presbifonia (envelhecimento da voz), em adquirir uma identidade própria vocal com a busca do domínio do seu instrumento - a voz - e da técnica vocal eficiente, resultando em poucas apresentações como consta em seus registros  históricos e relatórios, já em seu terceiro ano, foi primordial a realização do primeiro concerto que se entitulou “Cantando uma História”, realizado em setembro de 2015, no Centro Cultural da UFMT.

A produção desse primeiro concerto trouxe muita experiência para a equipe de trabalho e seus cantores. Em se tratando da equipe, a mesma realizou todo um movimento de produção artística voltada para esse momento. Todo o trabalho envolveu diversas atividades de pré-produção como a escolha do tema do concerto, das músicas e adaptação e/ou arranjos para o coral; as fotos tiradas anteriormente e que foram utilizadas no material de divulgação; a pesquisa e montagem de cenário, a escolha de figurinos, a montagem do  programa de concerto, entre outros.

Sobre os cantores, aspectos importantes foram observados durante os ensaios e passagens de som já no teatro. Momentos naturais de expressividade corporal e vocal ao cantar as peças, ou a superação mediante ao grande espaço (palco), temido por alguns, foi muito visível. Nos ensaios gerais e no concerto, o cantor pode concretizar o trabalho canto coral que vinha sendo conduzido nos ensaios, uma experiência completa, aprendendo os ajustes vocais necessários, postura, posicionamento em palco e principalmente, lidar com a emoção, visto que muitos, nunca haviam sequer entrado em um teatro. Isso tudo resultou em uma experiência única para todos.

O concerto “ Cantando uma História” foi o espetáculo que abriu as portas do Coral 3ª Idade da UFMT, resultando em mais visibilidade do grupo tanto para cidade quanto para o meio artístico e cultural, culminando em uma entrada maciça de novos integrantes em 2016, como uma resposta positiva ao trabalho feito por meio da divulgação realizada para tal concerto.

Em 2016, já em um novo momento de sua história, o Coral 3ª Idade da UFMT continuava apenas com vozes femininas, porém, o seu repertório ganhou um novo direcionamento: a divisão das vozes femininas em três naipes (soprano, mezo e contralto), ou seja, o grupo passou a cantar peças a duas e três vozes e o repertório apresentou mais peças e com estilos musicais diferentes.

Nessa temporada, o coral contou com 32 vozes e participou de 12 apresentações, como consta em seus registros. Inicialmente, cabe citar a participação no “MUSICARTE” – espetáculo onde o Coral 3ª Idade da UFMT dividiu o palco com outros grupos artísticos do Departamento de Artes da UFMT. Já no “Espetáculo Longevidade Saudável”, realizado no Teatro da UFMT, o grupo teve a oportunidade de dividir o palco com apresentações artísticas de diversas áreas oriundas do referido programa. Outra participação marcante em sua trajetória foi a posse da Reitora Myrian Serra, onde o grupo dividiu o palco com os corais do Núcleo Coral UFMT, Coral da UFMT - Campus de Barra do Garças e Orquestra Sinfônica da UFMT.

Com todo o processo já descrito e relatado, mais uma nova fase estaria por vir no ano de 2017, com o ingresso de 10 vozes masculinas. Nasce então, o primeiro naipe de vozes composto por homens, proporcionando uma nova coloratura e timbragem no resultado sonoro do coro, o que ocasionou também uma nova busca e pesquisa de repertório e arranjos que precisavam ser repensados para atender este novo desafio.

Com os novos desafios propostos pelo crescimento do grupo, novamente novos estudos e pesquisas foram realizadas. A busca pelo repertório, a adaptação de arranjos feitos pela própria equipe, a didática de estudo, a técnica vocal focada na saúde e qualidade sonora aplicada ao repertório, os ensaios de naipes, foram alguns dos objetivos enfrentados pelos estudos e planejamentos semanais. A cada música que era escolhida para estudo, era pensado de que maneira a mesma soaria estética e artisticamente, considerando essa nova “massa sonora”, provocada com o crescimento do grupo. Foi um momento de constantes análises de repertório, bem como, adaptações musicais periódicas.

Os resultados da temporada 2017 vieram, entre outras atividades, por meio do concerto realizado em setembro, com o título de “Canções e Serestas”. Nele, os cantores reviveram as canções que marcaram o tempo dos “enamorados”, serenatas resgatadas de sua juventude, assim como cantigas que lembravam histórias da vida em comum. Além do concerto, foram realizadas no ano de 2017 inúmeras apresentações. Tendo em seu corpo 62 vozes e uma variedade de peças com estilos musicais pré definidos para o concerto em seu repertório, o coral pôde apresentar o seu naipe de vozes masculinas à plateia, dando uma “resposta” aos que questionavam se o coral tinha como objetivo manter somente vozes femininas em sua formação. Essa resposta veio por meio do concerto e das apresentações, além do trabalho como um todo, com as vozes masculinas realizando inclusive solos em trechos de alguns arranjos apresentados como, por exemplo, na canção “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nestes anos de trabalho com o Coral 3ª Idade da UFMT, pudemos observar na prática e de maneira gradativa, todos os processos relatados acima. Porém, mais do que observar, ter vivenciado estes “degraus de crescimento” nos faz acreditar que para o bom desempenho de toda e qualquer proposta de trabalho que envolva o canto coral, será necessário o planejamento, o pensar e o repensar de estratégias diárias que estão sujeitas à mudanças conforme a configuração do grupo que se esteja conduzindo.

Da perspectiva do regente, a palavra renovação deve ser uma constante nesse caminhar histórico, pois pensamos que um trabalho artístico com o idoso deva sempre crescer em todas as perspectivas. Por meio de todas estas observações, análises e discussões, podemos considerar que o Coral 3ª Idade da UFMT atinge hoje, um ponto importantíssimo dentro de sua história como coral de terceira idade, ganhando sua representatividade dentro do meio coral e consolidando um belo trabalho artístico-musical.

REFERÊNCIAS

DE ALMEIDA, Matheus Cruz Paes. O canto coral e a terceira idade–o ensaio como momento de grandes possibilidades. Revista da ABEM, v. 21, n. 31, 2013.

Prazeres, M.M.V., Lira, L.C., Lins, R.G., Cárdenas, C.J., Melo, G.F. &Sampaio, T.M.V. (2013, dezembro). O Canto como Sopro da Vida: um estudo dos efeitos do Canto Coral em um grupo de coralistas idosas.Revista Kairós Gerontologia,16(4), pp.175-193. Online ISSN 2176-901X. Print ISSN 1516-2567. São Paulo (SP), Brasil: FACHS/NEPE/PEPGG/PUC-SP.


Palavras-chave


canto coral, saúde vocal, idosos, desafios e resultados

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