Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, IV Semana Acadêmica de Sinop

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Alterações no uso da terra: emergência de doenças infecciosas e parasitárias na Amazônia
Janaina Rigotti Kubiszeski, David José Ferreira da Silva, Carla Julia da Silva Pessoa Vieira, Eriana Serpa Barreto, Roberta Vieira de Morais Bronzoni

Última alteração: 05-10-17

Resumo


As hantaviroses são febres hemorrágicas graves cujos agentes etiológicos pertencem ao gênero Orthohantavirus, família Bunyaviridae. Os vírus são transmitidos ao homem através da inalação de aerossóis provenientes de excretas de roedores silvestres infectados. O município de Sinop, MT, está inserido dentro da Bacia Amazônica e, devido à prática da agricultura e urbanização, grande parte da região sofre com o desmatamento. A modificação do comportamento dos roedores silvestres em função da atividade humana está associada à ocorrência de casos de hantavirose. Este projeto teve como objetivo verificar os impactos do desmatamento e fragmentação florestal no aumento da população de pequenos mamíferos e o aumento dos riscos de infecções por hantavirose, através do levantamento e determinação da abundância de pequenos mamíferos oriundos de áreas florestais e peri-florestais e a pesquisa de hantavírus nos animais coletados. Um total de 125 amostras de sangue de pequenos mamíferos foi testado por métodos moleculares de RT-PCR para hantavírus. Uma amostra de roedor foi positiva para o vírus Castelo dos Sonhos (CASV), um dos principais agentes etiológicos de hantavirose no estado do Mato Grosso. A espécie do roedor foi identificada por técnica molecular como sendo Neacomys spinosus, espécie essa identificada pela primeira vez como possível reservatório do CASV no estado. Tendo conhecimento dos reservatórios do hantavírus, bem como seu comportamento em ambientes alterados pelo homem, pode-se entender melhor a epidemiologia da doença para que sejam determinadas medidas eficientes de prevenção na população humana.

Palavras-chave: hantavirose, Mato Grosso, vigilância, roedores


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