Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, IV Semana Acadêmica de Sinop

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INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CONGESTIVA ASSOCIADA À HIPOTIREOIDISMO EM CANINO DA RAÇA SHARPEI: RELATO DE CASO
Joaz Wellington Lopes, Daniely Patricia Oenning de Souza, Alice Heller Silva, Emanuelle Luciana Menezes costa, Kamilla Santiago Santos bertipaglia, João Victor Pilocelli, Nadia Aline Bobbi Antoniassi

Última alteração: 05-10-17

Resumo


A insuficiência cardíaca congestiva, caracterizada por alterações nas câmaras cardíacas e disfunção miocárdica sistólica e diastólica, geralmente de curso crônico, é uma das doenças mais observadas em cães e frequentemente está associada ao hipotireoidismo. O hipotireoidismo é considerado a endocrinopatia mais comum em cães. Os hormônios tireoidianos têm grande importância na lipólise, um efeito particular é a tendência de diminuir os níveis plasmáticos de colesterol, além disso, aumentam a frequência cardíaca e a força da contração, por sua interação com as catecolaminas, causado por um aumento da resposta tecidual, por meio da indução dos receptores B catecolaminérgicos. A diminuição dos níveis plasmáticos dos hormônios tireoidianos, característico do hipotireoidismo, pode resultar no acúmulo de tecido adiposo em diversos tecidos, como o coração, além de prejudicar a frequência cardíaca, o relaxamento diastólico e causar a diminuição da contratilidade, prejudicando o débito cardíaco. Foi encaminhado ao Laboratório de Patologia Animal/UFMT, campus Sinop, para realização da necropsia, um canino da raça Sharpei, de sexo masculino, com idade de 2 anos, sem histórico de doenças e sem manifestações clínicas prévias, sendo apenas relatado pelo proprietário inquietação no dia anterior a sua morte. Ao exame macroscópico foram observados: mucosas oral e ocular congestas, fígado vermelho enegrecido com bordos arredondados (hepatomegalia), baço com área focal escurecida e superfície capsular rugosa, mucosa gástrica com coloração vermelho arroxeada, mucosa duodenal avermelhada, traqueia com espuma em toda extensão e coração com formato globoso e com áreas multifocais esbranquiçada medindo em torno de 1x1cm. Ao ser realizado o exame microscópico foi possível observar coração com infiltrado difuso acentuado de adipócitos e tecido conjuntivo fibroso entremeado a cardiomiocitos atroficos. A tireóide apresentou atrofia dos folículos colóides por vezes com dilatação desses, frequentemente com vacuolização do coloide e metaplasia escamosa focal; no fígado havia congestão difusa acentuada de sinusoides e atrofia de cordões de hepatócitos, indicativo de congestão crônica; rim com material proteináceo no interior de túbulos e congestão difusa moderada e pâncreas com acentuada congestão e hemorragia difusa moderado. As lesões macroscópicas e histológicas observadas são compatíveis com insuficiência cardíaca congestiva, que provavelmente teve sua origem no hipotireoidismo confirmado pelas alterações tireoidianas observadas. É importante  que o hipotireoidismo seja considerado como diagnóstico em cães pelos médicos veterinários, em especial associados a doenças cardiacas e que esse diagnóstico seja realizado de maneira precoce, possibilitando a realização de tratamento adequado

 

Palavras chaves: Tireóide, Atrofia, Hormônios tireoidianos, Exame, Coração.