Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

Tamanho da fonte: 
ESTUDO SOBRE A PERCEPÇÃO E COMPORTAMENTO SOCIAL DA POPULAÇÃO CUIABANA FRENTE AO PSICÓLOGO
Thâmara Aparecida Oliveira de Moraes, Roseli Campos Arruda Costa, Roseli Campos Arruda Costa, Patricia Alves de Sousa, Patricia Alves de Sousa, Carlos Henrique Macena Barbosa, Carlos Henrique Macena Barbosa

Última alteração: 26-06-19

Resumo


Discursos e crenças sobre a profissão do psicólogo permeiam a imagem e função que lhe é atribuída nos espaços institucionais bem como pela população afetando diretamente a construção de sua identidade, tais representações estão em sua grande maioria associadas a prática clínica tradicional sendo que trazer ao centro das discussões a presente temática remete a possibilidade de vislumbrar novas alternativas de atuação no meio acadêmico e profissional que melhor se adequem à realidade social brasileira contribuindo igualmente para a desmistificação desta área para a sociedade e à categoria. Assim, o presente trabalho objetivou o estudo da representação social do psicólogo na comunidade cuiabana e sua correlação com a busca e interesse na assistência psicológica pela população. A Psicologia comunitária foi abordada por constituir uma possibilidade de enfrentamento diante da elevada demanda de pessoas em sofrimento mental na região. Para a execução da pesquisa de natureza exploratória e descritiva, com metodologia quali-quantitativa foram utilizados questionários semiestruturados que contém itens de caracterização populacional e itens que se correlacionam ao objetivo da pesquisa como ‘’ Quem, ou que tipo de ajuda procuraria em caso de problemas familiares, crise (...) ?;  Qual imagem vem à cabeça quando se fala em Psicólogo?; (Foi ao psicólogo) você recomendaria?; (Não foi ao psicólogo) caso tivesse oportunidade, você iria?’’. A amostra é composta de 24 indivíduos divididos proporcionalmente entre as regiões do Centro de Cuiabá, bairros periféricos Pedra 90, Dom Aquino e Tijucal, e de psicólogos associados e não associados à uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que disponibiliza serviços psicossociais a comunidades carentes da região. Como parâmetro de discussão dos resultados foi utilizado o artigo de Borsezi et al. (2006). A entrevista com as profissionais ocorreu nas clínicas de atendimento psicológico em que atendem, o período de experiência na área variou entre 03 a 32 anos. Para a análise de dados ‘’foram realizados cruzamentos, que seguiram como critérios os objetivos da pesquisa’’ (BORSEZI et al., 2006). Comparando-se os sujeitos de menor escolaridade (analfabeto/ ensino fundamental incompleto) com os sujeitos de maior escolaridade (ensino médio completo/ superior incompleto e ensino superior completo), apenas 28,5% dos que possuem menor escolaridade utilizaram os serviços de psicologia, contra 50% entre os de maior escolaridade. A hipótese de que ‘’a desinformação e falta de acesso aos serviços prestados pela área pública, entre outros fatores, podem explicar o fato’’ (BORSEZI et al., 2006, p. 65) é aqui igualmente utilizada. Há predominância na busca pela religião (45,8%) em casos de problemas familiares, crises e outros, ao se comparar com o fato de que a maioria dos indivíduos que não foram ao psicólogo justificaram não sentirem necessidade (46,6%) identifica-se que há interferência no grupo populacional estudado, de representações relacionadas à religião e a loucura, com significativa ligação à figura do amigo como a principal representação influenciadora quanto ao comportamento dos indivíduos na procura e interesse pelos serviços psicológicos, reforçando a necessidade de desmistificação da profissão vinculada a políticas públicas que visem o maior alcance desta ciência à população. Em entrevista com psicólogos, a análise de discursos permitiu dentre outras apreensões, identificar a perspectiva de adequação às necessidades da população bem como o grau de entendimento que possuem no sentido da relação que fazem entre suas práticas e a psicologia comunitária. Como no trabalho de Borsezi et al (2006) “o profissional de Psicologia é percebido de forma diversificada, através de definições que o colocariam numa área de atuação, cuja representação mais próxima seria a de um orientador ou conselheiro’’, a aproximação desta representação à figura de um amigo, experiências pouco satisfatórias no que se refere a qualidade do serviço culminando em ceticismo, desadequação à abordagem psicoterapêutica do psicólogo, falta de acesso aos serviços psicológicos e falta de informação corroboram com a desvalorização deste profissional e interfere na procura e interesse pelos serviços. Nota-se que há a atuação dos psicólogos na comunidade ainda que estes não se auto denominem psicólogos comunitários, como hipótese considera-se o desafio nesta área em consolidar-se enquanto uma identidade, igualmente há a necessidade de políticas públicas em saúde mental que fomentem e subsidiem o trabalho deste profissional na comunidade visto ser o consultório hoje a principal fonte de renda ainda que haja grande incidência de transtornos mentais nas camadas menos favorecidas.

Palavras-chave: Representação social; Psicólogo; Comunidade; Psicologia comunitária.

Referência:

BORSEZI, C.S et al. Representação Social da Psicologia e do Psicólogo sob o Olhar da Comunidade de Assis/SP – Brasil1. Revista de Psicologia da UNESP, 5(1), 2006. 59. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S1870-350X2008000300010. Acesso em 02 de abr. de 2019.