Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS E A ATUAÇÃO DAS (OS) PSICÓLOGAS (OS) NOS EQUIPAMENTOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
LEIDIANY DOS SANTOS NUNES, GISLAYNE CRISTINA FIGUEIREDO

Última alteração: 18-08-20

Resumo


A constituição histórica e atual da Psicologia se entrelaça com a assistência social, de modo que, esta se tornou um dos principais campos de atuação das (os) psicólogas (os). Inserção tida como demasiadamente recente, concretizada a partir da regulamentação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), em 2004, apresenta-se em frequente processo de construção de suas bases teórico-técnicas, metodologias de trabalho e posicionamentos ético-políticos que deveriam ser aplicados para embasar uma prática contextualizada e compatível com as necessidades da população, além de possibilitar um espaço de reflexão crítica acerca da profissão, suas raízes históricas e posturas atuais, principalmente propiciando uma compreensão acerca da Política Pública ao qual está inserido. Pois, ao contrário, desde então, algumas problemáticas vêm sendo destacadas, Gomes e Gonçalves (2018) salientam que a falha nos processos formativos e o desconhecimento da área de atuação desembocam em práticas profissionais mantenedoras de posturas assistencialistas e psicologizantes frente aos problemas sociais e aos usuários dos serviços, o que incluí uma não reflexão crítica do contexto, reforçando a ideia “de homem” a-histórico e descontextualizado. Exemplo desse tipo de atuação se dá no exercício da psicoterapia aplicada de forma individual em um contexto de prerrogativas grupais, comunitárias, dispondo de mecanismos de culpabilização dos sujeitos por sua situação social, como é ressaltado pelo CFP (2007). Considerando a realidade multifacetada que atravessa as relações na assistência social torna-se imprescindível compreender a dinâmica do cotidiano de trabalho dos profissionais que estão inseridos neste campo, bem como, os usuários que deles necessitam, sendo eles, majoritariamente negros é imprescindível que algumas temáticas além da ótica da vulnerabilidade social, como as relações étnico-raciais, perpassem sobre os atendimentos e atuação das psicólogas (os) nos equipamentos de assistência social CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social). Segundo o Conselho (2017, p. 75) “historicamente, a Psicologia brasileira posicionou-se como cúmplice do racismo, tendo produzido conhecimento que  o  legitimasse,  validando  cientificamente  estereótipos infundados por meio de teorias eurocêntricas discriminatórias, inclusive por tomar por padrão uma realidade que não contempla a diversidade brasileira”. Identifica-se o não reconhecimento da temática e seus desdobramentos sociais como importantes na constituição dos sujeitos, e na sua própria enquanto profissional. Tendo em vista o não enfrentamento dos problemas sociais de forma ativa e garantindo os preceitos éticos-políticos, vê-se um cenário que acaba por reforçar o preconceito, a discriminação étnico-racial e o racismo implícito nas diversas formas de relação (MAIA, SANTOS & SANTOS, 2018). Frente a este cenário no âmbito do SUAS, percebe-se a urgência do estabelecimento de discussões mais aprofundadas sobre a questão racial, além da implementação de perspectivas transversais que corroborem com a promoção de igualdade racial em vistas a cumprir com as regulamentações do Estatuto da Igualdade Racial (LEI 12.288/10), bem como da Resolução CFP N° 018/2002, e outros dispositivos que  visam o enfrentamento do racismo, do preconceito, da discriminação e desigualdades raciais, sendo que, neste sentido, é necessário ultrapassar visões reducionistas que encaram as usuárias (os)  do serviços somente através da ótica da pobreza e extrema pobreza. Deste modo, de forma consistente é indispensável compreender as diferenças e exclusões econômicas, sociais e culturais produtos do contexto histórico que atravessou o país e se materializa no cotidiano da população negra. Portanto, no intuito de conhecer mais sobre a atuação desses profissionais, frente a temática e aos usuários da assistência, será realizada uma pesquisa de campo de caráter exploratório, orientada e supervisionada, de caráter curricular e obrigatório para a conclusão do curso de graduação bacharel em Psicologia.  No que concerne a coleta de dados, serão realizadas entrevistas semi-estruturadas com uma amostra de três psicólogas (os) que atuam na assistência social, por meio dos equipamentos CRAS e CREAS, em um município de grande porte do estado de Mato Grosso, sendo a Análise de Conteúdo o recurso utilizado para o tratamento dos dados

Palavras-Chave: Psicologia; Questões étnico-raciais; Assistência Social

Referências Bibliográficas

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Relações Raciais: Referências Técnicas para atuação de psicólogas/os. Brasília: CFP, 2017. 147 p.

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CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução n° 018 de 19 de dezembro de 2002. https://site.cfp.org.br/wp-ontent/uploads/2002/12/resolucao2002_18.PDF. Acesso em: 23/06/2019.

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GOMES, N.S.; GONÇALVES, S.M.M. A psicologia na  assistência social: considerações sobre o percurso  histórico deste “novo” campo. Revista Mosaico. 2018     Jan./Jun.;    09 (1): 02-09.

MAIA, R. L. A; SANTOS, Alessandro de Oliveira; SANTOS, Marcelo Jardim. As relações étnico-raciais no cotidiano de psicólogos do sistema único de assistência social (SUAS) da cidade de São Paulo. In: LERNER, Rogério. Atualidades na investigação em psicologia e psicanálise : livro 1. (org). São Paulo: Blucher, 2018. 152 p.