Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

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GEMAI’S - EIXO FORMAÇÃO E CIDADANIA: INSERÇÃO E INCLUSÃO DE IMIGRANTES NA CULTURA BRASILEIRA
Natália Alves de Moraes, Arianny Ferreira de Souza, Gabriel Luan Borges Rocha, Maria Aparecida Campos

Última alteração: 30-06-19

Resumo


Este relato de experiência apresenta as ações desenvolvidas pelo eixo Trabalho do Grupo de Extensão Multidisciplinar de Apoio a Imigrantes (GEMAI's) – uma iniciativa multidisciplinar do curso de Psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) criada com o objetivo de facilitar a inserção e adaptação de imigrantes haitianos na cidade de Cuiabá. A ausência de recursos para recuperação após os desastres naturais que devastaram o país no ano de 2010 fez com que muitos haitianos migrassem em busca de melhores condições de vida. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados – ACNUR (2017), o número de haitianos refugiados passou de aproximadamente 33 mil, em 2010, para 73 mil em 2014. Nesse cenário, o Sistema Nacional de Cadastro e Registro de Estrangeiros – SINCRE, do Departamento de Polícia Federal do Brasil, registrou que o número de migrantes haitianos de longo tempo no país subiu de 304, em 2010, para 12.354, em 2017, totalizando 95.497 neste período, sendo 64.628 homens e 30.869 mulheres, com faixa etária predominante de 25 a 40 anos (OLIVEIRA, 2018). No período de 2010 a 2017 foram emitidas 76.183 carteiras de trabalho para haitianos, segundo o Ministério do Trabalho. E somente no ano de 2017, foram admitidos no mercado formal de trabalho 22.221 haitianos e 13.398 foram demitidos, resultando num saldo de 8.823 trabalhadores empregados, sendo que a média é de 7 homens e 3 mulheres para cada 10 trabalhadores. A faixa etária com maior número de trabalhadores empregados é de 20 a 39 anos. O principal estado brasileiro que emprega haitianos é Santa Catarina, seguido do Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo. O estado de Mato Grosso admitiu 1.130 haitianos e demitiu 774, mantendo o saldo de 356, sendo 163 na cidade de Cuiabá. É, portanto, o sexto estado no ranking dos que mais empregaram trabalhadores do Haiti, em 2017 (CAVALCANTI; BRASIL; DUTRA, 2018). A partir disso, vê-se a importância do projeto de extensão que surgiu a fim de contribuir com o desenvolvimento de ações direcionadas a segmentos mais vulneráveis da sociedade como o constituído por imigrantes e refugiados. O GEMAI's pretende auxiliar nas questões relativas à organização e defesa dos direitos dos imigrantes, trabalhando através da orientação, formação/qualificação e articulação com demais cursos da Universidade e instituições prestadoras de serviços à comunidade, visando atender suas necessidades em prol de sua inclusão na comunidade. O eixo Trabalho tem como principal objetivo promover autonomia, o protagonismo e emancipação da população haitiana residente em Cuiabá por meio da preparação e encaminhamento dos imigrantes para o mercado de trabalho brasileiro favorecendo seu estabelecimento na região por meio de recursos próprios, além de combater a exploração e o trabalho escravo. Em cinco meses foram produzidos 30 currículos e feitos 3 encaminhamentos para vagas de trabalho. Todos os sábados são feitas capacitações para os haitianos, até o momento foram 6 com os seguintes temas: gastronomia cuiabana com 26 participantes , informática básica em aproximadamente 35 participantes, fotografia com 10 participantes, Oficina de vídeo: gravação e edição com aproximadamente 8 participantes, atendimento ao cliente que teve 6 adesões, formatação de computadores com 10 participantes  somando, 95 participações deles. Os resultados têm sido bastante positivos conforme destacam os imigrantes que sugerem temas para os cursos conforme suas necessidades. Os próximos cursos são: azulejista, design de sobrancelhas, tapiocaria e cozinha nordestina. Os extensionistas vem se articulando com outros cursos da Universidade e organizações para o oferecimento de capacitações e conscientização de empregadores para contratação de haitianos. O maior desafio do eixo Trabalho é a captação de vagas e obtenção de emprego para os imigrantes. Contudo, o Grupo ainda está estruturando suas ações, desenvolvendo e fortalecendo parcerias a fim de alcançar seus objetivos. Esse trabalho contribui e potencializa a formação acadêmica dos extensionistas através da ação direta no campo.

Palavras-Chaves: Imigrantes, Trabalho, Grupo de Extensão, População haitiana.

 

REFERÊNCIAS

ACNUR. Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. Caderno de Debates Refúgio, Migrações e Cidadania, v. 12, n. 12. Brasília: Instituto Migrações e Direitos Humanos. 2017. ISSN 1984-2104 (Versão online).

CAVALCANTI, Leonardo; BRASIL, Emmanuel; DUTRA Delia. A movimentação dos trabalhadores imigrantes no trabalho formal de trabalho brasileiro. In: ANTONIO, Oliveira; OLIVEIRA, Tadeu; MACEDO, Marília de. Migrações e mercado de trabalho no Brasil. Relatório Anual 2018. Série Migrações. Observatório das Migrações Internacionais; Ministério do Trabalho/Conselho Nacional de Imigração e Coordenação Geral de Imigração. Brasília, DF: OBMigra, 2018.

OLIVEIRA, Antônio Tadeu Ribeiro de. Movimentação e registro de migrantes no Brasil: dados do STI e SINCRE. In ANTONIO, Oliveira; OLIVEIRA, Tadeu; MACEDO, Marília de. Migrações e mercado de trabalho no Brasil. Relatório Anual 2018. Série Migrações. Observatório das Migrações Internacionais; Ministério do Trabalho / Conselho Nacional de Imigração e Coordenação Geral de Imigração. Brasília, DF: OBMigra, 2018. Disponível em
file:///C:/Users/Sebasti%C3%A3o/Downloads/RELATORIO_ANUAL_2018.pdf .
Acesso em 06 abr 2019.