Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, VIII Semana de Psicologia da UFMT

Tamanho da fonte: 
Estilos parentais e práticas educativas: temáticas em psicologia do desenvolvimento humano
Juliana Da Cas Machado, Paola Biasoli Alves

Última alteração: 01-07-19

Resumo


A família tem sofrido diversas transformações ao longo da história da humanidade, assim, os pais vêm assumindo diferentes formas de educar, cuidar e socializar os seus filhos. Estas mudanças trazem inúmeros questionamentos aos pais a respeito dos efeitos das relações familiares e das práticas educativas no contexto familiar ao longo do desenvolvimento do indivíduo, principalmente no que se refere aos comportamentos e à maneira ideal de lidar com as questões do cotidiano. Consoante a isso, a família é considerada o primeiro ambiente no qual a criança está inserida, estabelecendo os primeiros vínculos e formas de se relacionar com o mundo. Este estudo apresenta os conceitos de Estilos Parentais e Práticas Educativas através de uma revisão de literatura não sistemática, ou seja, sem adotar parâmetros de temporalidade e veículos específicos de divulgação científica, utilizando buscas por meio de palavras-chave. Aproximadamente 30% das referências consultadas estão na biografia apresentada. Nesta perspectiva, a parentalidade foi percebida como uma relação baseada no poder, centralizado principalmente na figura dos progenitores. Estas relações de poder têm influência direta sobre os estilos parentais e as práticas educativas utilizadas no âmbito do contexto familiar. Inicialmente, os Estilos Parentais foram compreendidos a partir da avaliação de determinadas características dos pais, como os padrões de autoridade e a comunicação familiar, definindo assim, três estilos: autoritário, autoritativo e permissivo. Os parâmetros para diferenciação dos estilos foram concebidos através de duas dimensões: a responsividade e a exigência. O Estilo Parental é definido como um padrão global das características das relações entre pais e filhos em diferentes situações e que gera um clima emocional. É também conceituado como o conjunto de práticas educativas utilizadas pelos pais na relação com os filhos.  Estas estratégias ou práticas são empregadas com intuito de alcançar objetivos específicos em diferentes domínios e contextos (habilidades acadêmicas, sociais e afetivas) e frequentemente visam extinguir ou diminuir comportamentos inadequados e intensificar a ocorrência de comportamentos adequados. Um modelo de conceituação de práticas educativas que surgiu em meados de 1975 classificou as práticas educativas parentais em duas categorias: estratégias indutivas e estratégias de força coercitivas. As disciplinas indutivas são empregadas com o intuito de disciplinar, demonstrando à criança as consequências de seu comportamento e enfatizando os aspectos lógicos da situação, através de explicações sobre suas ações, regras, princípios e os motivos que justificam a necessidade de mudança de comportamento. Em contrapartida, as práticas coercitivas decorrem da aplicação direta de força e do poder dos pais, incluindo punição física, privação de privilégios e afeto, ou uso de ameaças. De acordo com o modelo teórico proposto no Brasil, o Estilo Parental pode ser positivo ou negativo e reflete no desenvolvimento de comportamentos antissociais ou pró-sociais das crianças. Quando positivo, as práticas educativas positivas são preponderantes com relação às negativas e quando o estilo parental é negativo, as práticas educativas negativas prevalecem às positivas.  As práticas educacionais negativas são: a negligência, o abuso físico, disciplina relaxada, punição inconsistente e monitoria negativa. Por outro lado, as práticas educacionais positivas são: a monitoria positiva e o comportamento moral, que se utilizam do uso adequado de reforçadores sociais, ao desenvolvimento da empatia, o estabelecimento de contingências reforçadoras ou punitivas para o comportamento do filho, onde se estabelecem regras claras e consequências para o não cumprimento das mesmas. Com isso, as práticas educativas utilizadas pelos pais podem ser percebidas como um fator de risco ou de proteção para o desenvolvimento dos indivíduos. As pesquisas têm demonstrado que as estratégias utilizadas pelos pais com relação à educação e socialização dos filhos podem variar de acordo com as características dos pais, e conforme as características das crianças, demonstrando que idade, ordem de nascimento, sexo, temperamento e empatia são fatores considerados nas escolhas dos pais. Estudos mostraram que há uma correlação entre a forma como os pais foram educados e as escolhas das práticas educativas ao relacionarem-se com suas crianças, revelando assim, que pode haver uma repetição do modelo aprendido na infância com seus cuidadores, reproduzindo-a na geração seguinte. Dessa forma, é visível a importância da discussão sobre as práticas educativas no contexto familiar em busca de um desenvolvimento saudável para as crianças, salientando a relevância de estudos voltados a intervenções focadas na promoção e prevenção de saúde da população infantil.

 

Palavras chave: estilos parentais, práticas educativas, parentalidade, família.

Bibliografia:

CECCONELLO, A. M.; DE ANTONI, C.; KOLLER, S. H. Práticas educativas, estilos parentais e abuso físico no contexto famílias. Psicologia em estudo, vol. 8, n. 2, p. 45-54, 2003.

GOMIDE, P. I. C. Inventário de Estilos Parentais: Modelo teórico: Manual de aplicação, apuração e interpretação. 2ª ed. Petrópolis: Vozes, 2011.

PATIAS, N. D.; SIQUEIRA, A. C.; DIAS, A. C. Práticas educativas e intervenção com pais: a educação como proteção ao desenvolvimento dos filhos. Mudanças – Psicologia da Saúde, vol. 21, n. 1, p. 29-40, 2013.

PAZZETTO, T.; TONI, C. G. S. Grupo de orientação a pais em clínica-escola de psicologia. Pluralidades em Saúde Mental, vol. 7, n. 2, p. 69-86, 2018.

RIOS, J. B. S. et al. Práticas Educativas e Estilos Parentais: uma Revisão Bibliográfica da Literatura Brasileira. Revista Uniabeu, v. 9, n. 21, p. 17-31, 2016.