Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, SEMINÁRIO DO ICHS – Humanidades em Contexto: saberes e interpretações (2014)

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COLONIALIDADE DA ARTE.
Daniel Pellegrim Sanchez, Ludmila Brandao

Última alteração: 19-07-17

Resumo


Orientado pelo pensamento de Walter Mignolo de “descolonizar a estética para liberar aesthesis”, este artigo discute como o pensamento moderno ocidental rege os critérios de validação sobre a produção artística mundial. Aborda a noção grega de aesthesis (sensação) e a apropriação da mesma, no século XVIII, por filósofos como Baumgarten e Kant. Apropriação que possibilitou o nascimento da “narrativa estética” eurocentrada, a qual distinguiu/distingue o diferente, classificando-o e desqualificando-o em relação à arte europeia, num momento histórico em que os países colonizadores se fortaleciam economicamente e culturalmente pelo processo de colonização das Américas, Ásia e de África. É nesse contexto que surgem distinções como arte e artesanato, ou seja, são usados critérios como de que uma “tela” é arte e um objeto de argila “artesanato”, de que antigos “livros chineses” (rolos de papel) e objetos e códigos da civilização Asteca sejam exibidos em Museus de História Natural. É a partir do século XVIII que se constrói na Europa o “museu” (casa das musas) formando uma nova complexidade na arte e na estética. Esse sistema que aí começa a se constituir vai se firmando, ao longo dessa história, como o “trajeto único” das artes que se incumbe de legitimar os artistas que conseguem percorrê-lo. Em se tratando de arte produzida na América Latina, no Brasil e mais especificamente em Mato Grosso e em sua capital Cuiabá, é a esse “trajeto único” fortalecido e reproduzido com mais separações, classificações e hierarquizações, que este texto se opõe, vislumbrando possíveis caminhos “outros”.


Palavras-chave


Aesthesis; Estética; Trajeto único; Colonialidade/decolonialidade

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