Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, SEMINÁRIO DO ICHS – Humanidades em Contexto: saberes e interpretações (2014)

Tamanho da fonte: 
ESTADO E CAPITAL NA PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO EM REGIÕES DO AGRONEGÓCIO: URBANIZAÇÃO MONOPOLISTA, SEGREGAÇÃO E COTIDIANIDADE EM NOVA MUTUM-MT
Danilo Volochko

Última alteração: 22-07-17

Resumo


A urbanização recente em determinadas regiões de Mato Grosso apresenta elementos importantes para a compreensão da realidade social brasileira, uma vez que articula o novo e veloz processo de produção do espaço urbano e agrário – vinculado à expansão da fronteira agrícola dos anos 1970 redimensionada pelo agronegócio a partir dos anos 1990 – com a crescente atuação do estado – em suas políticas de planejamento territorial urbano – e do capital financeiro nacional e internacional em sua reprodução geográfica desigual. Esse processo envolve a constituição de um novo espaço-tempo marcado por intensas transformações espaciais coordenadas pela lógica da produção de commodities agrícolas, e que repõem, na escala intraurbana, conflitos ligados à crescente monopolização e concentração fundiária pressupostas na expansão dos latifúndios pretensamente produtivos. A pesquisa em andamento parte da realidade urbana da cidade de Nova Mutum como possibilidade de entender as contradições produzidas na relação entre a dinâmica do campo modernizado e a produção do espaço urbano a ela associada, na qual novas relações sociais podem ser lidas no plano da vida cotidiana, na prática socioespacial urbana. Analisa-se como a colonização privada – que marca a historicidade dessa cidade – se articula à reprodução atual do capital e do poder, reproduzindo o entrelaçamento entre o planejamento público municipal e o capital que atualiza a produção da cidade como um negócio imobiliário. De um lado, analisamos como a elaboração do Plano Diretor Participativo de Nova Mutum vem sendo conduzido e que implicações ele coloca para os negócios fundiários urbanos e, de outro, como essa urbanização monopolista tem implicado na constituição de processos de valorização do espaço e segregação socioespacial da população migrante de trabalhadores empobrecidos integrados sobretudo aos setores de processamento de carnes/frigoríficos.


Palavras-chave


Urbanização; Políticas; Agronegócio; Segregação; Cotidianidade.

Texto completo: PDF